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Pequenas Escolhas da Vida - Capítulo 7



ROBERT







Ela sabia como me irritar. De uma maneira louca. Corrigindo: aquela garota não batia bem da bola. Ou batesse demais. Trinquei os dentes tentando ler aquele maldito documento pelo o que? Quinta ou sexta vez?



Se eu não precisasse tanto de uma secretária eficiente naquele momento ela já estaria demitida. Provavelmente. Onde já se viu? Chamar-me de “chefinho”? Onde foi parar o respeito e a hierarquia do escritório. De modo algum ela podia continuar com tudo aquilo. Então quando a garota pediu uma trégua, tudo ficou ótimo.



Sim...a primeira semana se passou tudo normal. Não bem normal. Ainda tinha toneladas de papéis para organizar e milhões de erros para corrigir...tudo por causa de um tratante que tinha ocupado o meu posto anteriormente.







E tinha a Kristen. Ela fazia aquele tipo de coisas de propósito? A cada dia ela vinha com uma roupa diferente com o intuito de apenas me provocar. Desde quando alguém vinha trabalhar com aquele tipo de decote? E quando ela murmurava – meio perdida em meio ao caos – colocava os braços embaixo dos seios, ficando mais evidente aquela parte de sua anatomia feminina. Que tipo de coisa imbecil eu estava pensando? Ela é minha empregada. E só.



E chatinha.

Que ficava me provocando a todo o momento.







E como se não bastasse, tinha o meu pai. É, o meu pai. Ele vinha mais freqüentemente a minha sala. Não exatamente à minha sala. Ele vinha ver ela. A Kristen. E isso me fazia ficar mais irritado. Se possível fosse...Eu tinha plena consciência que eu bufava enquanto eles riam de algum tipo de piada imbecil?





Qual é a dela? E do meu pai? Não via que aquilo tudo era totalmente impróprio?





Abri a porta de repente e juro que fiquei roxo quando vi a cena. Era o meu pai. Abaixando. Ela estava na mesa, praticamente de olhos fechados. Ele se abaixava...MEU DEUS! Eles iam se beijar? Meu pai? A Kristen? Puta que pariu!





– KRISTEN! – Gritei, fazendo ela se assustar com o pulo. Meu pai se afastou, devagar e sorrindo. Como se ele estivesse rindo de alguma piada interna. Ela ainda olhava assustada para mim, ajeitando a blusa apertada e muito transparente. Ok, nem tanto...mas...



– Bem, vou indo. – Meu pai falou sorrindo. E ele se aproximou da Kristen, dando um beijo na sua bochecha. – Até mais querida. – E saiu.



Ela parecia estar furiosa.

Ué...o que foi que eu fiz?







Kristen




Certo que a gente estava em trégua. Oh, se arrependimento matasse! Que merda havia com ele? Assim que eu chegava, Rob trancava-se no escritório...e eu ouvia ele bufando...como se estivesse totalmente irritado com alguma coisa.





O que foi que eu fiz dessa vez? No domingo, a Brit me falou que eu não poderia ir trabalhar com as minhas roupas de sempre...que meu jeans não era lá muito adequado ao ambiente de trabalho e me fez perder o meu domingo correndo milhões de loja, para comprar roupas e sapatos.





Juro que pensei estar fazendo a melhor escolha...mas quando cheguei na Segunda...ele me olhou de um jeito tão estranho que pensei estar vestindo algum tipo de saco de pão na cabeça.





E sim...imediatamente eu me olhei no espelho. Tudo estava normal.

Ué...qual era o problema dele?





E tinha o pai dele. O senhor Monroe. Ele era tão divertido...tão diferente do filho ranzinza com que eu trabalhava! Só era estranha uma conversa dele sobre netos...sobre o Rob ser filho único. Isso era estranho. Porque ele falava aquele tipo de coisas comigo?





– Seu rosto está sujo. – o pai do Rob falou e riu. – Você parece a minha Ruth...ela parece que vive se lambuzando com a comida o tempo todo.



– Ruth?



– A mãe do Rob.



– Há...- esfreguei minhas mãos pelo rosto, mas ele ainda ria.



– Que?



– Ainda está sujo...Espera!



Fechei os olhos, esperando que ele me indicasse onde eu tinha me sujado. Isso era tão patético!



Mas antes que qualquer coisa acontecesse ouvi um grito e pulei assustada da cadeira, levando a mão ao peito. O pai dele se despediu, beijando minha bochecha e foi embora.



– Qual é o seu problema? – Gritei.



– Você...- Ele trincou o maxilar. Parecia furioso. – Seu....- ele piscou, olhando a janela. – Eu vou sair mais cedo.



– O que?



– SAIR, Kristen. Hoje é sexta. Você também pode sair mais cedo. – ele parecia resmungar e voltou para a maldita sala. Sério, eu já estava ficando furiosa com tudo aquilo...e tinha quase certeza que aquela maldirá trégua não ia durar muito mais.





Então quase meia hora depois, entra uma mulher. Ela parecia ser mais velha. Mas não muito. Devia ter uns 26 anos. Era loira...e linda. Seus traços eram bem delicados. Eu não podia imaginar que ela pudesse fazer qualquer coisa que tirasse seu cabelo do lugar. E principalmente ela não tinha a minha sorte.



Ela vinha toda sorridente mas estacou ao me ver.



– Olá! Aqui é o escritório do Robbie?



Robbie? Que porra era aquela? Quem era Robbie? Eu não conhecia nenhum Robbie, oras! Que tipo de apelido idiota era aquele. Então apenas respondi.



– Ele está ocupado.



Mas antes que a loira pronunciasse qualquer coisa a mais, sai da sala um Rob elegante. Arrumado. E super sorridente. Simpático. Porque ele tinha agido assim comigo?



– Millie! – Meus pensamentos tomaram outro rumo e para meu horror completo, vejo Rob a pegando pela cintura, dando um beijo rápido nos lábios da vagabunda loira. Ela deu sorrisinho fraco, como esperasse por isso. Pelo beijo dele.



Que?



– Tchau Kristen. Até segunda. Feche tudo ok?



E saiu.





POV DO ROB



– Você quer me explicar tudo isso? – Millie falou logo que terminamos de comer a sobremesa. Droga. Porque ela tinha que tocar nisso agora? Tudo estava tão bom não era?





– Explicar o que? Não posso jantar com uma amiga? A gente não pode ser divertir? – Eu sorri, tentando desviar sua atenção. Ela estreitou os olhos. Eu tava fudido.



– Claro que pode mas...quem era ela?



MAS QUE MERDA!



– Ela quem?



Millie começou a rir e fiquei mais nervoso.



– Não se faça de idiota Rob! Eu te conheço...desde sempre!



– É, a gente devia ter se casado...



Ela riu fracamente.



–Claro que não – e piscou. – Nós dois sabemos que não ia dar certo. A gente se conhece muito. Esse é o problema.



Certo. Ela tinha razão.



– E então? Qual o nome daquela garota?



– Que garota?



– Por favor não é?



– Ar...Kristen! Ela está fazendo da minha vida um inferno!



– Oh...é mesmo...Como?



– Não quero falar disso. – eu sorri. – Vamos dançar?

– Vamos sim...Vem. – A Millie me pegou pelo braço, me fazendo encará-la- Sabe que algum dia nós vamos falar sobre isso não é? Você não pode guardar isso para sempre. E ela...





– Kristen. O nome dela é Kristen.



– Ela é bem bonita.



Millie pousou a cabeça em meu peito quando meus pensamentos insistiam em tomar outras direções. Eu apenas suspirei e apertei mais forte a sua cintura.



– Eu sei disso.





Não importa se somos fortes, traumas sempre deixam cicatrizes e nos seguem até nossa casa. Mudam nossas vidas. Traumas derrubam a todos, mas talvez essa seja a razão. Toda a dor, o medo e as besteiras... talvez viver isso é o que nos faz seguir adiante. É o que nos impulsiona. Talvez precisemos cair um pouco, para levantar novamente.” (Greys Anatomy)

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