stávamos no corredor, perto do banheiro quando o meu chefe agarrou meu braço, nos fazendo parar.
–Que?
– É impressão minha ou a sua amiga...a Brit...pensa que nós...
E ele apontou o dedo para mim. E ele. Várias vezes. Cruzei os braços, evitando rolar os olhos e começar a rir.
– É impressão sua, Rob. A Brit não pensa bobagens... – surprimi a vontade de rir – E até parece que eu teria algo com você...além do mais...você não faz meu tipo.
– Como se você fizesse o meu baixinha...- ele resmungou atrás de mim. – Além do mais, sou seu chefe.
Decidi deixar essa conversa para lá e entramos no banheiro. Dei um pulo ligeiro quando ouvimos o pequeno chiado do cesto.
–Ei...- Tirei o minúsculo cachorro de lá. – Pronto. Ei... – Comecei a rir quando ele lambia o meu rosto, como se tivesse agradecendo. – Pronto! Você está livre.
Mas ele lambia...muito...e comecei a rir histericamente...foi então que vi a correntezinha...
– Bob! Pára Bob...
– O QUE? Você é louca! Porque colocou o meu nome no cachorro?
– Não grite, chefinho. Eu não coloquei ta bom? Veio nele. – Rolei os olhos. – Aqui. Olha. Bobo. O nome dele.
– ... E um endereço. Ótimo! Vamos levar ele lá...e tudo resolvido...Que perfeito!
Sabe aquela sensação de que você está num filme de terror da pior categoria e o vilão fica tramando algum plano mirabolante, esfregando as mãos...tipo...”dominar o mundo” ou qualquer coisa do tipo? Pois é. Eu estava tendo um vislumbre disso ao vivo...graças ao meu querido chefinho.
– ROBERT! Muita calma nessa hora ok?
– Eu to calmo.
–Claro que está.
Pus o cachorro no chão e ele ficou se esfregando na minha perna.
– Bob tarado! – resmunguei. – Então...temos que tirar o Bob daqui antes que a Brit veja...
– Já vem você de novo com essa história... – Ele bufou. – Como pretende fazer isso?
– É aí que você entra...
**
Entrei lívida na sala, com o meu melhor sorriso.
– Brit? Er...tenho que ir...
– Mas já?
– Tiaaaaaaaa Kris! Não vai...- era o pequenino que correu para minhas pernas.
– Tenho que ir... – Comecei a tossir. – Hun...o Rob...- tossi de novo – o Robert...meu chefe...temos que resolver um negócio....no escritório.
Jesus...eu podia apostar que eu estava suando bicas e meu rosto avermelhado. Eu não tinha nascido para ser atriz. Não nesse mundo.
–Mas é sábado! Ninguém trabalha no sábado. – ele choramingou.
–É urgente. – Beijei o topo da sua cabeça. – Vou indo.
Peguei minha bolsa e praticamente corri até a porta mas a Brit foi mais rápida e me alcançou.
– Tem noção de quão estranho isso parece?
Suspirei.
– Só na sua cabeça. Não temos nada...Só vamos resolver um...- tossi de novo. Mas que droga de garganta. – negócio...No escritório.
– É claro. – Brit abriu a boca, para fechar no instante seguinte. – Espera um segundo.
E ela já estava de volta...ei...o que era aquilo na mão dela.
– Toma.
E estendeu para mim.
– Oh meu deus...Você está me dando camisinhas?
– Claro né?
Agora foi ela que rolou os olhos.
–Sexo seguro.
– Não...não...não...- neguei com a cabeça. – Não quero isso. Eu...
– Mas que coisa! Toma, Kristen! – E colocou as camisinhas na minha bolsa. – Não quer ficar grávida logo assim de cara né?
Jesus cristinho...ela enlouqueceu?
– Você.não.regula.bem, Brit. – resmunguei, pausadamente e quase corri até o Rob. Meu rosto devia estar roxo, pois ele olhou para mim de uma maneira estranha.
– Tudo. – Suspirei. Olhei no banco de trás e lá estava o cachorrinho, com a língua de fora. Ele deu um latido fraco. – Podemos ir? Você conhece esse endereço?
– Conhece. É um pouco longe...mas...sim...conheço.
– Tem certeza?
Ele estava tão estranho.
– Claro. –Rob, resmungou.
Quase duas horas depois...
– É claro que você sabe a porra do caminho não é Robert! Estamos perdidos. – conclui o óbvio.
– Não...só...acho que entramos na rua errada.
– Você ta falando isso a quarenta minutos! Porra...faz umas duas horas que a gente roda...e nada!
Rodamos mais algumas quadras...e nada. Parecia um ciclo sem fim. Minha cabeça estourava e minha barriga já estava querendo ficar com fome de novo. Aí lembrei da Brit...que me entregou as camisinhas. Comecei a rir. Rob olhou para mim, meio com ódio.
– Quer saber? – ele gritou. Ué...estressadinho né? – A CULPA É SUA!! Não...não...vocÊ tem que ser A DOIDA! Saimos escondidos da casa do John...e estamos rodando a horas aqui...para que? Encontrar a droga da casa de um cachorro! Se tivéssemos ido a um canil...nada disso estaria acontecendo. Eles que iam contactar o dono...e não...nós!
– Acabou? Sabe o seu problema senhor Pattinson? – Abri minha boca para gritar meia dúvida de palavrões quando Bob começou a latir alucinadamente e vimos a maldita casa. Número 37. Então sorri, bagunçando os cabelos dele, que me olhou chocado. Há, que foi? Não pode tocar no cabelo agora?
Tô dizendo...ele era tão estressado.
Se a Brit estivesse aqui ela diria que era falta de sexo.
Quase ri com esse pensamento.
Quase. Porque ele bufou, abrindo a porta, pegando o cachorrinho no colo. Provavelmente escutaram o barulho do carro mas a porta abriu-se e um garotinho de oito anos saiu, seguida de uma mulher que aparentava ter uns 26 anos. Ela era alta e loira demais.
Meu queixo ficou meio tenso quando vi que ela olhava para a nossa direção, analisando a espécime ao meu lado.
E olhem que eu não estava falando do cachorro...
– Bob! – o menino gritou e cachorrinho agitou-se no colo do Robert, que por fim o colocou no chão. Os dois se encontraram no meio do caminho e Bob lambia todo o rostinho do garoto, que saltava risinhos animados.
A garota oxigenada aproximou-se nós. Na verdade, do Rob...porque ela nem se dignou a olhar pra mim. E estendeu a mão. Para o Rob. E sabe o que o idiota fez? Sorriu. Pois é. Deve ter ficado enbabascado com o quilo de silicone que ela usava nos peitos. Eu ein... Prefiro os meus...pequenos e naturais. Então tossi. Eu era baixinha mas não invisível.
– Então foram vocês que encontraram o Bob?
Ouvi o Robert raspando a garganta e sorrindo, estendendo a mão para ela.
– Na verdade fui eu...que...
– VOCÊ? – Comecei a rir – Se fosse pelo Rob, o Bob - levantei as mãos, fazendo sinal de aspas – estaria na carrocinha.
– Melhor irmos né? – ele se adiantou. – Foi um prazer...
– Melanie. – a de peitos de silicone falou. Jesus, pensei que objetos não falavam...Que coisa né?
– Bem, Melanie nós temos que ir. – Falei, enganchando meu braço no do Rob. Ela parecia olhar sem graça e sorriu brevemente. – Até mais.
– Qual o seu problema? – ele murmurou quando chegamos perto do carro de novo.
– Eu estou cansada da semana infernou que você – e apontou para ele – me fez passar! Kristen isso...Kristen aquilo! Argh! E como se não bastasse...em pleno sábado...fui retirada da cama para almoçar...adivinhe com quem? Com o meu patrãozinho muito generoso. Então não me venha com esse papinho ok? Se quer dar em cima da siliconada...volte outra dia...outra hora. E sem mim. Eu quero ir pra casa! Dormir...e não ver a sua cara até a segunda. Tudo bem?
– Claro. – ele resmungou, entrando no carro seguido de mim. Permanecemos em silêncio, só quebrado quando ele perguntou onde eu morava. Até que dessa vez chegamos bem rápido em casa. Na minha casa.
– Enfim...- sussurrei, vendo o prédio onde eu morava. Fiz uma careta ao ver Jack na portaria. Oh, que droga... – Merda.
Provavelmente falei alto demais porque Robert olhou pra mim, sem entender.
– Que foi?
– N..nada...só o Jack. Vou indo. Vemos-nos na segunda?
– Claro. Ele falou baixo. – E Kristen?
–O que?
–Não foi intencional sabe? Que eu fiquei te chamando toda hora...o escritório está uma bagunça...e eu...eu tenho que organizar isso...- ele espremou os olhos – Mas vai melhorar...
– tudo bem. Eu só...eu sou uma azarada. É minha sina. Da minha vida. Eu sou assim. – sorri. – Então...tenho que reclamar dos meus problemas...- suspirei. – Mas podemos fazer uma trégua chefinho?
Ele rolou os olhos! Foi inacreditável.
– Sim. Uma trégua. – e estendeu a mão. – Mas com uma condição.
Gargalhei.
– Eu proponho uma trégua e você me fala de condição?
–É. Quer ouvir?
–Huhun...
Ele segurou meu queixo, me impedindo de desviar de deus olhos. Como eu nunca tinha notado aquele tom de azul...quase preto. Era...era assustador.
–Nunca mais me chame de chefinho.
– Hun...tá.
–Prometa.
– Tá, eu prometo.Nunca mais te chamo de chefinho certo?
E ele me largou.
Sai do carro tentando achar uma explicação lógica para tudo aquilo.
“Não dá para saber qual dia será o mais importante da sua vida. Os dias que você pensa serem importantes nunca atingem a proporção imaginada. São os dias normais, os que começam normalmente que acabam se tornando os mais importantes”
(Grey’s Anatomy)
Call Our Toll-Free Number: 123-444-5555






0 comentários:
Deixe seu comentário ou impressão sobre o texto acima. Mensagens ofensivas serão deletadas.