Olho para o céu
Tantas estrelas dizendo da imensidão
Do universo em nós
A força desse amor
Nos invadiu...
Com ela veio a paz, toda beleza de sentir
Que para sempre uma estrela vai dizer
Simplesmente amo você...
Meu amor..
Vou lhe dizer
Quero você
Com a alegria de um pássaro
Em busca de outro verão
Na noite do sertão
Meu coração só quer bater por ti
Eu me coloco em tuas mãos
Para sentir todo o carinho que sonhei
Nós somos rainha e rei
Na noite do sertão
Meu coração só quer bater por ti
Eu me coloco em tuas mãos
Para sentir todo o carinho que sonhei
Nós somos rainha e rei
Olho para o céu
Tantas estrelas dizendo da imensidão
Do universo em nós
A força desse amor nos invadiu...
Então...
Veio a certeza de amar você...
– Está tudo bem?
Eu não sabia definir o que era pior. Talvez eu devesse ter ficado calada. Mas não, eu tinha que abrir eu bocão. Sabe aquela coisa de pensar antes de falar? Eu devia definitivamente estar mais atenta a isto. Estávamos na sala de espera do consultório do médico. Eu não via mais sombras. Tudo era como antes. Rob apertava forte a minha mão. Eu sorri fracamente, apenas balançando a cabeça.
– Hun, sim...Acho que sim...
– O que isso quer di...zer? – Ele meio que gaguejou, assustadoramente mais nervoso do que eu. Que loucura! Nunca pensei que chegaria tão rápido em um hospital. Rob tinha pirado, literalmente. Por pouco – muito pouco, devo dizer – eu não tinha vindo de camisola ao hospital.
– Nada ué. Só to dizendo que to bem...Fica calmo, amor...Hey!
– Eu só...sei lá...Você fica escondendo as coisas de mim – ele raspou a garganta – Como eu vou te ajudar se não sei o que está acontecendo?
– Tá tudo igual... Você não tem que me ajudar, honey...Estamos aqui, não estamos...Que tal...
– Igual? Como assim igual?
– A antes ué...Acho, sei lá...acho que não foi nada...um lapso...Talvez algo de momento. Mas amei ver seu rosto. Você continua lindo. – Sorri, encantada - Mesmo que o tempo tenha sido tão pequeno...
– Vamos ver o que o médico vai dizer tá bom? Não vamos mais especular nada...Pode ser o sinal de algo bom.
Ou talvez não tenha sido nada...
Apenas a minha visão querendo brincar comigo ou me dar uma oportunidade de algo. Depende de como você encara cada detalhe que é dado em cada momento de sua vida.
–x-
Bocejei pela terceira vez. Já tinha perguntado a hora umas trezentas vezes. Não trezentas mesmo né? Assoprei meu próprio cabelo, tirando um fio que caia em minha testa. Deus! Isso incomodava pra caramba! Já era cinco da tarde e eu não aguentava mais fazer exames.
– Será que vai demorar muito ainda?
– Acho que não...Já está anoitecendo...
– Você não foi trabalhar hoje...- Murmurei – Não vai te complicar Rob?
– Não quero saber. – ele suspirou – Mas eu avisei que não ia. Não se preocupe.
– Rob...É impossível que....
– Nem fala isso ok? Cala a boca Kristen!
– Grosso. – resmunguei, ao mesmo tempo que envolvia o seu braço e apoiava minha cabeça em seu peito. Ele suspirou, envolvendo meu corpo pequeno perto do dele. Rob tinha um cheiro cítrico. Inconfundível. – Sabe, - minha voz era apenas um sussurro – não tem nada demais ter medo...e ainda assim...Isso que aconteceu...por mais breve que tenha sido foi maravilhoso sabe? É muito bom te ver...Em qualquer momento.
– Eu só queria voltar a ser como antes...Mesmo com seu humor estourado...
– Eu não era estourada...- resmunguei.
Ele riu.
– Você ainda é baby...E impulsiva...
– Isso é ruim?
– Em parte.
– O todo sem a parte não é todo, A parte sem o todo não é parte, Mas se a parte o faz todo, sendo parte, Não se diga, que é parte, sendo todo...
– O que? O que você tá falando?
Eu sorri, me afastando alguns centímetros.
– O que você falou me lembrou desse poema. De Gregório Matos. Eu sempre me achei meio parte sabe? Por causa do meu azar...Nunca pensei que na verdade, isso tudo fazia parte. De ser quem eu sou...Como eu sou. Ou de como um dia eu serei.
– Você é um “todo” agora?
Eu sorri brevemente. E neguei com a cabeça.
– Você não entendeu? O todo e a parte são a mesma coisa. Eles se completam...
– A gente faz parte do mesmo todo?
Senti meu rosto esquentar.
– Algo assim...
– Tudo bem, minha filósofa favorita.
Permanecemos em silêncio por pelo menos uns dez minutos quando ouvi chamarem o meu nome e Rob se levantou, com a mão ainda grudada à minha. Passávamos por um corredor quando ele estancou.
– Você aprendeu o brailer?
– Sim.
– Então ler isso...- Ele falou, colocando minha mão em direção ao quadro. Letra após letra me fazia arfar. Seu hálito quente atrás de mim era uma presença constante de sua expectativa.
– Então, o que está falando?
– De cada ser humano eleva-se uma luz que chega em linha reta ao céu, e quando duas almas estão destinadas a estar juntas elas encontram uma a outra, as correntes de fluxo de luz fluem juntas e apenas uma brilhante luz vai adiante a partir desse para existirem juntas." - Ba al Shem Tov.
Imediatamente meus olhos se encheram de água.
– A gente vai ta sempre junto não vai amor? – perguntei. Ele me abraçou, beijando de leve minha bochecha.
– Enquanto me quiser...
– Eu sempre vou querer você honey...
–x-
– E então, doutor...O que a Kristen teve?
– Bem, ela realmente começou a ver...Quero dizer, fiz uma bateria de exames em você Kristen.
– Percebi.
– Então...
– Você deveria estar enxergando agora.
– Eu...não vejo nada.
– Como eu imaginava – ele suspirou. – Veja só. Sua córnea está perfeita. Nenhum arranhão. Parece que os dias com o remédio surtiram efeito.
– Mas...
– De alguma maneira você não quer enxergar...
– VOCÊ É DOIDO! É CLARO QUE QUERO ENXERGAR!
– Escute...
– VOCÊ É DOIDO! – Eu gritei, me levantando da cadeira.
– Kristen, escuta o médico...
–NÃO! Quero ir embora. Isso é tão estupido. Você acha que eu quero estar desse jeito? Quem – por acaso – quer isso? Ninguém ok? Eu não escolhi. Um batalhão de vidro caiu bem nos meus olhos. Isso é um fato...e não essa coisa ridícula que...
– Seus olhos estão perfeitos...
– Não estão, droga! Você é um médico fajuto.
Pisquei várias vezes. Minha mente girava e a dor de cabeça me fez ver estrelas. É mais do que eu podia suportar. Então, apaguei.
–x-
– Acorda, bebê...
– Rob.
Ele sorriu.
–Oi...Você me deu um baita susto...
– Onde estamos?
– Em casa.
Fechei meus olhos, apreciando a maciez do colchão da cama. Eu devia esquecer o dia de hoje. Então, lembrei de algo que devia contar. Antes que eu pudesse abrir a boca, ele continuou.
– Kris, sobre o médico...Devemos...
– NADA. Esquece ele. Que loucura...
– Kristen...
– Vamos em outro ok? Esse doutor é doido...Eu...preciso te contar uma coisa...
– Contar?
–É...Olha, não fica bravo...Eu...acho...
– Kristen, fala...
– É sobre sua m..mm...ma...mãe...
– O QUE?
– Hun, eu conversei com sua mãe e ela...
– VOCÊ NÃO FEZ ISSO.
– NÃO PRECISA GRITAR COMIGO!
Ele bufou.
– Você deixou...essa...mulherzinha entrar aqui?
– Ela...é ...sua mãe, Rob....e está arrependida e...
– NÃO! Você não devia ter me traído desse jeito...Não, não você...eu falei que ela estava morta. Eu falei! Ela é uma vagabunda, interesseira...Você não podia ter feito isso...Qualquer coisa...mas isso...
– Rob...
– Eu...eu preciso ir...Não dá...Não dá mais...
– Já é muito tarde!
– Agora você se importa...
Tremi quando a porta bateu com força e escutei um carro saindo, a toda velocidade. Droga! Eu pressentia que ia dar em merda...Me encolhi na minha própria cama, rolando para um lado...para outro...Minha cabeça latejava e meus olhos insistiam em não me obedecer. O sono e o cansaço eram bem mais forte do que eu.
Acordei com o sol bem no meu rosto, me incomodando. Eu esperava encontrar seu corpo do lado do meu. Nada disso estava acontecendo.
– Rob? – gritei com a voz trêmula.
Nada.
Eu tinha dormido sozinha.
O fraco jamais perdoa: o perdão é uma das características do forte.
Call Our Toll-Free Number: 123-444-5555






0 comentários:
Deixe seu comentário ou impressão sobre o texto acima. Mensagens ofensivas serão deletadas.