Neste momento alguém precisa de você, mais do que você precisa de alguém
- Diga que estou fazendo a coisa certa.
– Kristen, você sabe o que eu acho....sobre tudo. – Houve uma certa hesitação da Brit no último pedaço da frase.
Gemi, afundando minha cabeça entre as minhas próprias mãos. Eu ainda sentia que estava fazendo algo errado me encontrando com a mãe do meu marido sem ele saber. Tirando o fato que Rob não a via a anos. Na verdade, ele mesmo tinha me dito que sua mãe tinha morrido.
– Brit! Cadê o seu apoio?
– Eu to aqui não estou?
– Argh! Você...
Nosso diálogo foi interrompido pelo som estridente da campainha. Suspirei fundo, sentindo uma dorzinha no peito. Deixamos tocar e ela segurou minha mão rapidamente.
– Se quiser desistir...
– NÃO – Gritei, aflita - Tudo bem...abre ali...Quero conhecer a Claire...e saber o que houve de verdade...
– Tudo bem.
Ouvi o movimento do seu vestido. A janela provavelmente estava aberta e fazia um som engraçado enquanto batia no tecido da roupa da Brit. Ela praticamente arrastava o sapato enquanto ia até a porta, abrindo de repente.
Alguns segundos se silêncio entre a porta ser aberta e a visitante se anunciar.
– Sou a Claire.
Ela falou hesitante. Engraçado como eu podia sentir tantas emoções tão diferentes com um único som. A fala traz tanta coisa sobre você. Muita mais do que a gente pensa ou imagina. Além da hesitação lógica e ansiedade, a sua voz me transmitia medo.
– Claro que é. – A Brit respondeu e as duas andaram até o sofá onde eu estava. Uma do meu lado e outra em minha frente.
– Você é...
– Kristen. – Falei num tom de voz levemente mais alto que o normal e estendi minha mão no que eu achava ser a sua direção. – A mulher do Robert.
– Meu filho...- ela sussurrou quase que para si mesmo. Trinquei meus dentes, sentindo raiva dela.
– Seu filho? Que tipo de mãe deixa um filho...? Sabe o que ele disse sobre a mãe dele pra mim?
– N..Não...
– Que ela está morta...Pense o meu susto quando me ligou...
– Eu não estou morta!
–Para ele sim!
– Eu...não queria..fui fraca...depois precisei...
Suspirei frustrada, contendo a minha raiva. Eu só ouvia pequenos sussurros da mulher na minha frente. Precisávamos ficar sozinhas. Ela tinha que me contar. Tinha algo bem pior por trás.
– Brit...
– Ok, estou lá no quarto. Qualquer coisa grita.
– Obrigada amiga.
Momentos depois escutei a porta batendo e tive minha total atenção para a mulher na minha frente.
– Sabe, eu estou pondo em risco toda a minha vida com ele...por causa dessa conversa. Nunca escondi nada do Rob. NUNCA. – Sorri amargamente – O engraçado é que depois do acidente nós nos entendemos mais...é como se tivéssemos ficado mais juntos...
– Isso é culpa minha também...
– Você embebedou o cara do outro carro? Estava na direção? Enviou os vidros para que eu ficasse cega?
– Não querida – ela suspirou – Nunca faria mal a ele...a você. Mas, eu fui lá.
– Lá?
– No seu casamento.
– Isso não tem nada a ver.
– Tem tudo...ele me viu...ele se distraiu...eu
– PARA COM ISSO. Não tem nada a ver...Eu não quero saber nada disso...Quero só saber por que foi embora...o que fez para ele te odiar tanto?
– Eu...a culpa não foi dele...eu...a culpa foi minha.
– Imagino que sim...Ele era apenas um garotinho....
– Tinha nove anos...Nós...eu e o pai dele...Estava impossível. Até que na véspera do aniversário do meu menino...nós discutimos e ele me bateu.
– Não...o pai do Rob...Ele não seria capaz...NÃO.
– Nós estávamos no limite. Não que ele tenha me espancado mas perdeu o controle e me chutou. Bem na minha barriga.
– Oh meu deus!
– Eu estava de cinco meses...o meu bebê...era uma menina...não sobreviveu.
Eu podia ouvir o choro baixinho da mulher à minha frente e meu coração apertou. De algum modo eu a entendia...mas de outro...o meu Rob. Estava o meu Rob. Eu me lembrava perfeitamente bem de seu rosto quando tocava no nome da mãe.
– O que você fez?
– Ela saiu inteirinha dentro de mim sabe? Quase que totalmente formada. Era assustador. Foi como se o meu bebê estivesse viva...
– Eu...sinto muito...
– Eu também. – ela fungou – O Richard...eu soube bem depois estava com muitos problemas na empresa...mas, então eu não aguentei mais. No hospital mesmo fui embora. Tinha 28 anos na época. E acredite, Kristen, não há dia nenhum que eu não pense nele. No meu filho.
– O que você quer realmente?
– Conversar com ele. Falar. Dizer que eu nunca o esqueci nesses anos todos...NUNCA. Eu sempre o acompanhei de longe. Ele nunca me viu...a não ser no dia do seu casamento...
– O que?
– Eu acho que sou algum tipo de masoquista...eu o via de longe na sua comunhão, na formatura do colégio, da faculdade...Era meu jeito de ficar perto...
– Por isso foi em nosso casamento.
– SIM! Como eu podia não ir? Era meu garotinho casando...Vocês estavam lindos...ele sorria tão lindo.
– Ele...é um homem agora – engoli em seco – Tantos anos...Você poderia...
– Eu sei. – ela suspirou. – Mas eu fui covarde demais...
– O que mudou? – perguntei de repente.
– O acidente sabe? Foi terrível. Ver àquele carro vindo na direção de vocês e não poder fazer nada. Absolutamente nada! É a pior sensação que um ser humano possa passar... Se eu...o tivesse parado...só dez segundos...alguns segundos e vocês não teriam encontrado esse homem estupido.
– Não diga isso.
– Um segundo muda tudo.
– Você não pode interferir nas escolhas dos outros.
– E você acha que eu não sei disso? Se eu pudesse o teria levado embaixo do meu braço. Mas para onde? Eu não tinha para onde ir... Mas, desde aquele dia esse pensamento não me sai da cabeça. Eu preciso falar com ele, Kristen...por favor...me ajuda...
– Oh deus...
– Por favor...Eu não posso...Nós não podemos partir do mundo e deixar tanta coisa em suspensa.
– Não fala assim! Ninguém vai partir aqui.
– Esse é uma coisa que não podemos prever.
–
Já fazia quase três horas que a Claire e Brit tinham ido. Eu tinha me deitado na cama, apertando meus olhos. A dor de cabeça estava me matando. Como eu ia falar de uma mãe que ele odiava? Não, Rob realmente não a odiava...Ele só estava magoado.
– Hey, baby...
Fui acordando do nevoeiro do sono em que eu me encontrava. Bocejei, virando de lado.
– Kris...Hun...- Ele beijou meu pescoço, me fazendo ficar arrepiada. – Acorda, amor...Desde quando você é tão preguiçosa ein?
– Tá frio...- resmunguei. Ele riu, logo senti seu corpo quente se juntando ao meu. Praticamente ronronei, feliz. – Isso é bom...
– Muito bom. – Me virei, rodeando sua cintura quente, enquanto Rob beijava o vão do meu pescoço me fazendo ficar quente. Abri meus olhos e vi sombras. Sabe quando você se acostuma com a escuridão e começa a ver a silhueta de tudo, suas curvaturas. Era uma grande novidade em comparação a sempre negra escuridão de sempre.
– ROB! ROB! ROB, para!
– Que foi? – Ele se afastou e vi as sombras no seu rosto. Ele era tão lindo, mesmo assim entre a escuridão e o clarão. Sem me conter, lágrimas grossas desceram de meus olhos sem vida. – AMOR! Kris, baby, o que ta havendo? Foi algo que eu fiz?
– N...Não...Nós...precisamos ir no médico...
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