Pequenas Escolhas da Vida - Capitulo 24
“Você ganha força, coragem e confiança a cada experiência em que enfrenta o medo. Mas tem que fazer exatamente aquilo que acha que não consegue.” (Eleanor Roosevelt)
Acho que pensei estar em algum tipo de pesadelo maluco. Eu tentava evitar as lágrimas e o arrependimento de ter cedido àquela mulher. Agora tudo parecia perdido. O tempo avançava e ele não voltava. Afundei novamente meu rosto no travesseiro macio. Pensamentos sombrios insistiam em se aventurar por minha cabeça. Soltei um grito mudo. Aflito.
Acho que adormeci depois de tudo.
Então acordei de novo. Fazia frio.
Chovia.
Engoli em seco algumas vezes.
Meu estômago protestou.
– Eu estou aqui. – era uma voz fraquinha, quase irreconhecível mas profundamente familiar.
– Oh meu deus...Você está bem?
– Defina bem. – ele resmungou.
– Não vamos começar com isso... – Apertei minha própria mão tentando, de alguma maneira, me conter. Engatinhei através do colchão, chegando até a borda. Eu podia perceber ele se movendo até mim. – Rob amor, eu te amo tá bem? Eu...eu só pensei estar fazendo a coisa certa. Eu só quero você bem...
– Ela me abandonou...
– Eu sei...
Agarrei sua mão, apertando com a fraca força que eu possuía.
– Nós vamos superar isso, não vamos? – perguntei.
– Não fala mais nela...
Mordi meus lábios, evitando falar o que eu achava que ele devia fazer.
Do que ele precisava fazer.
– Onde você estava?
– Por aí...
– Rob...- resmunguei, ao mesmo tempo em que meu estômago roncou. Ele riu baixo, afagando minhas bochechas que ficaram inesperadamente quentes.
– Você não comeu nada ainda...desde ontem?
– Como você acha que eu poderia comer quando meu marido sai como um louco de casa e passa a noite e dia todo fora?
– Me desculpe baby.
– Tá tudo bem. – suspirei – vamos comer.
Me levantei de vez, quando uma tontura traiçoeira me alcançou.
– Aii...
Me sentei de novo na cama.
Tudo ainda rodava.
– Kristen...Fica aí...Eu trago a comida. – Ouvi seus passos seguirem até a porta. Um suspiro forte foi seguido – Eu fui à praia.
– O que?
– Você perguntou aonde eu tinha ido. Fui à praia pensar. Me lembrei de quando era criança. De quando vivia com eles. E de tudo que eu tinha perdido... Eu não pude deixar elaganhar de novo. Então eu voltei.
– É bom ter você em casa novamente... MAS NUNCA MAIS FAZ ISSO!
– Nunca mais...
Então ele se foi. Desceu as escadas e comecei a ouvir os barulhos que Rob fazia preparando algo na cozinha. Respirei fundo algumas vezes, tentando acalmar o embrulho que vinha se formando no meu estômago. Mas que droga! Isso era ridículo. Tentei abaixar minha cabeça entre as minhas pernas mas parecia pior. Eu quase podia sentir o gosto da bile em minha boca.
Respirei fundo algumas vezes enquanto tentava me levantar, segurando-me nos móveis a minha volta, tentando chegar até o banheiro. Ele nunca tinha sido tão longe. Minha visão nunca tinha sido tão incômoda. Suspirei quase aliviada quando toquei o trinco gelado da porta do banheiro. Eu precisava vomitar e tudo passaria. Depois um banho.
Eu gostava de pensar de estar sempre no controle. Nós nunca estamos.
Nunca sabemos o que pode nos derrubar...ou nos erguer.
Senti uma pontada forte em meu baixo-ventre seguido de algo gelado escorrendo pelas minhas pernas. Minha cabeça ainda girava incessantemente. Definitivamente algo de muitoerrado estava acontecendo.
– Kris? – Era a voz do Rob chegando no quarto.
– No banheiro. – Foi quase um sussurro. Eu mal podia me ouvir. Com a mão livre, pressionei minha própria palma, assustada com o quanto de suor estava ali.
– Kris...o café...KRISTEN!
– O que? – murmurei de volta assustada, tentando girar meu próprio corpo.
Engano fatal.
Três coisas eu aprendi naquele momento.
Eu ia desmaiar.
Nunca passe o dia sem comer.
Se estiver enjoada e terrivelmente tonta não se levante. NUNCA. Sério.
Olá, luz do dia...aqui vou eu.
Algumas pessoas quando desmaiavam viam tudo escuro. Eu não. Era até bom. Eu via primeiro uns pontinhos claros e uma luz forte que quase me cegava. Bem, eu já estava cega...Não vem ao caso. Mas espera...isso dói! HAA. Então fui puxada para a escuridão de novo.
Ok, isso tinha que parar.
–x-
Seu toque mais parecia que flutuava em mim. Era algo minúsculo, era um quase toque. Quando abri meus olhos, eu vi sombras. O escuro não era tão escuro dessa vez. Resolvi ficar calada dessa vez. Se dissesse ele provavelmente ia querer me levar em algum médico doido que ia me falar que eu não enxergava porque não quero.
Quem iria querer uma coisa dessas?
– Isso dói. – resmunguei. Ele suspirou, quase rindo baixinho. Plantou um leve beijo em meus lábios, se afastando logo em seguida.
– É um soro baby.
– Soro? Por quê? Aonde a gente tá?
– No hospital...
– Que? Por quê?
– Você desmaiou... e sangrou.
– Oh...- finalmente a consciência tinha me alcançado – Eu me lembro de sentir algo quente escorrendo pelas minhas pernas...
– Era o sangue.
– Fiquei louco quando te vi assim...
Permaneci em silêncio, agitando minhas mãos sobre meu colo. Fechei e abri os olhos algumas vezes. Eu ainda via os vultos. O quarto era pequeno. Rob estava sentado a meu lado, tocando em meu braço.
– O que eu tenho...?
– Kris, baby... Você...Deus! Você quase o perdeu.
– Como é?
Sua respiração foi mais profunda e pegou na minha mão.
– O que você teve foi um principio de aborto.
– VOCÊ TÁ DOIDO? – Gritei. – Eu não posso ter tido um aborto porque eu...
– Você está grávida. Nós vamos ter um bebê.
– Não...
Uma vez a alguns anos atrás lembro-me de brincar com a Brit e outros garotos de esconde-esconde. Estávamos na fazendo da Sra. Brian, mãe de um de nossos colegas. Tinha uma parte que mais parecia uma floresta. Um ótimo lugar para brincar. Se esconder. Eu adormeci atrás de uma árvore e cai de costas, sendo levada por algo que parecia um barranco. Foi como se todo ar reservado à minha sobrevivência tivesse escapado de meus pulmões. Então fiquei lá deitada. Por minutos. Ou horas...Quem sabe? Eu tentava lutar. Me mover. Respirar.
Qualquer coisa.
É como eu me sinto agora. Tentando respirar. Incapaz de falar. Totalmente atordoada com as palavras que iam e batiam na minha cabeça. Rob segurava meu braço. Eu sabia que ele estaria ali de qualquer maneira.
Mas mesmo assim eu me sentia desamparada. Sentindo meu ânimo ele se deitou do meu lado, me abraçando. Afundei meu rosto no meio do seu peito, tentando não chorar. Foi impossível. Lágrimas quentes ficaram entre nós. As mãos dele eram sólidas e quentes enquanto passeavam pelas minhas costas, transmitindo algum tipo de conforto.
Passamos um bom tempo assim. Em silêncio. Mudos. Às vezes não falar nada, é falar tudo.
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Você acalma as tempestades
E você me dá repouso
Você me segura em suas mãos
Você não vai me deixar cair
Você roubou meu coração
E me deixou sem fôlego
Você vai me receber?
Vai me atrair mais ainda?
(Everything – Lifehouse)
– Eu...Nós...vamos ter um bebê? Isso é...
– Vamos sim...
– Foi a pior coisa que poderia ter acontecido comigo...conosco.
– Não fala assim. É um bebê nosso, amor. Nosso.
Funguei.
– Eu nunca vou ver o rostinho dele...nunca...
– Não fica assim.
– É a verdade.
A nossa pequena discussão foi finalizada pela entrada de uma terceira pessoa no quarto. Ele me soltou, voltando a se sentar na cadeira ao meu lado. Eu queria gritar para que Rob voltasse. Era estúpido. Estávamos em um hospital.
– É a obstetra que cuidou de você baby. – ele sussurrou do meu lado. Apenas assenti. As sombras estavam mais escuras agora. Que droga estava acontecendo comigo?
– Olá, Kristen. Sou a Dra. Diana. Você nos deu um grande susto. – eu podia sentir ela sorrir. – Mas está tudo bem agora.
– OK. – Resmunguei, me afundando na cama.
– Não quer saber de quanto tempo está?
– Tanto faz... – dei de ombros.
– Seis semanas. Ele é bem pequeno, algo como um grão de feijão. Você vai se sentir enjoada. Tente comer seis vezes ao dia... Qualquer problema, pode me ligar.
Então foi na noite do nosso aniversário de seis meses de casados. Ouvi calada enquanto ela falava que eu teria de ficar alguns dias de repouso. Sobre a minha dieta e tudo mais.
– Nenhuma pergunta?
– Quando eu vou embora daqui? Quero ir pra casa.
– Kristen...
– Eu quero ir embora. – falei, resoluta.
– Você vai. Já pode ir. – falou a médica
– Obrigada.
Algum dia eu pensei que o meu pior momento foi ficar cega. Nunca mais ver o Rob. Nunca mais ser capaz de ver como ela sorria quando eu contava uma piada estúpida. A gente sempre pensa que nunca acontece com a gente. Que nós já chegamos no fundo do poço. Ele pode ser bem comprido às vezes porque nada poderia ser pior de que nunca saber como é rosto do meu bebê.
– Vamos. – Rob me chamou, me dando a mão. O caminho até o carro nunca me pareceu tão comprido.
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Saudades desta fic...
ResponderExcluirVolta logo Dannie ;)
beijo
Nossa tava mesmo com saudade dessa fic, q bom q vc tá postando no blog. Agora uma curiosidade ñ consegui ler o capitulo 25 e se for ler o 26 vai ficar realmente faltando uma parte da fic, alguem reclamou disso com vc? Bjuss
ResponderExcluirMariza, o erro foi meu. Errei na hora de enumerar o capítulo. O epílogo já está disponível também para a leitura. História completa. Em breve, o PDF
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