O despertador soou estridente. Resmunguei, me virando de lado. Droga de vida de acordar cedo. Eu detestava. Então...de novo!
Que droga...o que eu ia fazer tão cedo...porque mesmo eu tinha que acordar cedo?
Há, Jesus! A Entrevista...a entrevista!
Pulei da cama e corri para o chuveiro. A pressa foi tanto que algo estava errado.Não. Algo estava sobrando ali.
A minha roupa. Eu tinha acabado de entrar no chuveiro completamente vestida!
Droga...droga...droga! Arh. Sai debaixo da água e tirei a roupa pegajosa do meu corpo. O resto do banho foi tranqüilo. Peguei minha melhor roupa apresentável e me arrumei.Olhei no espelho.Até que não estava tão mal.Sorri para a minha própria imagem à minha frente, quase sem acreditar.
Oh, vamos lá...Kristen...você consegue!
E fiz um sinal positivo com o polegar.
Que ridículo! Quantos anos você tem? Cinco?
Lembro de ter escutado o telefone tocar mas a minha pressa era maior. Dessa vez, tudo daria certo. Dessa vez, eu chegaria em casa empregada e conseguiria pagar todas as minhas contas. Enquanto esperava o ônibus passar lembrei a Brit e a loucura de querer me arrumar um encontro às escuras. Quem fazia isso hoje em dia? Somente a Brit mesmo...
Balancei a cabeça, tentando desanuviar meus pensamentos sombrios. Brit e as loucuras dela não tinha vez agora...Eu estava farta de homens! Porque sempre meus relacionamentos tinham que dar errado? Era isso. Eu daria um tempo. Nada de sexo masculino na minha vida...pelo menos nos próximos três meses...nem que fosse o rei da cocada preta. NÃO! Nem isso. Xô, homens!
Eles eram uma praga na minha vida...uma bonita praga...mas uma praga.
**
Caramba. Eu podia ter imaginado que seria algo grande...mas não tão grande. O prédio era enorme e todo espelhado. Aqueles prédios de advocacia onde só quem tinha muito dinheiro ia. E a minha esperança de conseguir aquele emprego foi diminuindo consideravelmente e meu peito acelerando. Ok, Kristen, você não é medrosa.
Não sou?
NÃO É!
Tá, ta, eu não era. Não estava a fim de brigar com meu subconsciente aquela hora da manhã.
– Bom dia. – falei à recepcionista do andar – Eu tenho...
– Se nome. – Ela me cortou, sem nem ao menos olhar na minha cara. – Seu nome, mocinha.
– Kristen. Kristen Stewart. – resmunguei. Ela digitou algo no computador e só então olhou pra mim. Eu tinha a impressão que ela continha uma risada. Era uma senhora muito bem vestida e aparentava ter quase cinqüenta anos. Provavelmente estavam querendo que ela se aposentasse e nada. Aquele dinossauro continuava ali.
– Você será entrevistada pelo senhor Monroe. Ele é bem...rígido. – Ela engoliu qualquer que fosse que estivesse em sua boca e olhou pra mim. Aquele olhar. Eu me senti nua. Ela analisava cada fibra da minha roupa preta. Eu imaginava que tinha me vestido bem...mas pelo jeito, eu seria escorraçada daquele escritório e adeus...emprego. Oh, não..não...não...eu tinha que ter aquele emprego.
– Algum problema?
– Não. – ela deu um sorriso...ou pelo menos ensaiou ele, pois no instante seguinte, não tinha mais nada ali. Só a sua cara azeda. – Andar 8. Sala 803. Senhor Monroe. Não se esqueça.
Saí da recepção e apertei o botão do elevador. Senhor Monroe – zombei. – É claro que eu não ia esquecer o nome dele né?
O elevador chegou e eu hesitei alguns segundos antes de apertar o andar...oito. É oito. Oitavo andar. Senhor Monroe. Quem ela pensava que eu era? A minha memória era de elefante. Eu lembrava de tudo.
**
Bati uma. Duas vezes. Então uma voz grossa disse para eu entrar na sala. Ok, Kristen. Só respira. É moleza. Esse emprego é seu...Pena que meu peito pensava bem diferente.Então, eu esperava encontrar tudo...menos esse cara.
– Olá. – Saudei – Sou a Kristen...Vim para a entrevista de empreg...
– Sei sei. Se sente.
– Obrigada senhor Monroe.
Ele analisava uma pilha de papéis à sua frente. Na verdade, toda a sala era um atropelo de desorganização. Ele precisava urgentemente de alguém a fim de organizar tudo aquilo. Porque esse alguém não seria eu? Vamos Deus, dá uma forcinha a essa humano aqui por favor...
– Senhorita...
– Kristen. Meu nome é Kristen, senhor Monroe.
– Kristen, veja só. – Ele tirou os óculos, mostrando seus olhos acusadores pra mim. Eram imensamente azuis. Quando a mulher lá embaixo me falou que o senhor Monroe era rígido eu imaginei um velho sizudo e gordo. Mas não...aquilo realmente não era velho...nem gordo. Definitivamente não.
– Dá pra parar com isso?
– Você fica mexendo os olhos de forma estranha.
O que?
– Que eu saiba, isso é involuntário, Senhor Monroe. – Frisei bem a última palavra – No dia que eu consegui controlar movimentos involuntários eu estarei rica... E não aqui!
– Meu deus, garota! Sabe a minha vontade? Expulsar você daqui nesse exato momento!
É, eu mesma me expulsaria. Mas não. Ele continuava me encarando e eu continuava sentada na cadeira por uma estranha razão.
– Porque não faz isso - sussurrei – Não que eu esteja pedindo isso. É claro que não – gesticulei as mãos. – Eu quero trabalhar e...
–Deus! Porque você não cala a sua boquinha e me escute por um momento?
Levantei minhas mãos, num gesto de rendição. Porque não? Então me lembrei do Jake com uma careta e do enorme aluguel que eu teria que pagar no mês que vem.
– Você vai trabalhar pra mim...não para o Senhor Monroe.
– Mas a Brit falou...
– Ela não tem nada a ver com isso. Eu preciso de uma secretária pra ontem e não quero mais fazer milhões de entrevistas. Você é capaz de organizar essa bagunça ou é demais para a sua cabecinha?
Só. Repira. Kristen. Stewart.
Um...
Dois...
três...
quatro...
hã? Onde eu estava mesmo?
Dois...
É sou eu ou a autora dessa fic que me fazer enlouquecer? Sério, em que outro lugar a personagem principal é tão azarada? Onde? Onde? Me fala...Porque eu não vi aonde...
Antes que eu respondesse um senhor de idade com cara de papai Noel entrou na sala e sorriu pra mim. Não..Não...Não...Não me diga que esse era o tal do Monroe?
Jesus...
– Rob! – Ele sorriu. – Olá, senhorita.
– O...lá. – gaguejei. - Sou Kristen.
– Você é a Kristen. Venha cá.
Levantei-me num salto e ele me abraçou, beijando ambas as minhas bochechas. Hello? Em que mundo eu estava mesmo? Aquilo era pra ser uma entrevista de emprego?
– Oh, querida... Pelo jeito o Rob te roubou não é?
Dei um sorriso sem graça.
– Eu sou Monroe... - Então ele disse as malditas palavras e meu mundo virou do avesso. E eu, naquele momento, não imaginaria o quanto. – Você vai trabalhar com o Robert. – Ele revirou os olhos. Jesus...um senhor de idade de quase 65 anos estava revirando os olhos pra mim! – Ele é meio rabugento...e meio chato...e conservador! – O senhor Monroe olhou para o meu futuro patrão – Nem parece que ele tem 28 anos e sim setenta!
– Papai! Você que é condescendente demais com ...- ele olhou pra mim com repulsa – com as pessoas...
Oh...estão aquele senhor era o pai dele? Oh, mundo injusto! Porque eu tinha que trabalhar com o filho rabugento e que – pelo visto – já me odiava em vez do senhor bonzinho?
–Ok, ok, estou indo...Boa sorte querida.
O dono daquilo tudo estava me desejando boa sorte? Jesus...eu estava perdida mesmo. Eu quase gritei para ele voltar quando vi a porta sendo fechada.
– Pronta? – O tal do Rob perguntou. Porque o mal educado não teve a consideração nem de se apresentar!
Pronta pra que? Para começar no pior emprego da minha vida?
Cero, certo, parei de reclamar. Era um emprego né? E eu precisava muito dele. Rob ou Jake?
Rob ou Jake?
Rob ou jake?
É...Melhor ficar por aqui. Olhei em seu rosto e ele parecia irado. Oh oh...ele tava com aquela cara que a Brit também fazia quando falava comigo e eu não tinha escutado nada.
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