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Pequenas Escolhas da Vida - Capitulo 17



Eu ainda estava esperando que tudo aquilo fosse uma mentira. Uma pegadinha. Mas não era. Se passaram algumas horas antes que eu percebesse que mais alguém estava ali. Ele estava tentando falar comigo. Mas nada para mim importava naquele momento. Eu estava cega. Totalmente. Como eu poderia viver assim? Ainda mantinha meus olhos completamente fechados desde que o médico tinha acabado de me examinar. E dali em diante não escutei mais nada. Só algumas palavras perdidas que não me serviam para nada.





Sentia meu peito ser oprimido por uma dor nunca antes conhecida.





– Kris baby...fala comigo.





Eu não queria falar com ninguém. Sentir ninguém.

Percebi seus dedos ligeiramente trêmulos perto dos meus globos oculares sem funções.



– Não chora Love.



– Sai daqui. – consegui murmurar.



– Kris?



– Eu.quero.que.você saia. SAI, ROB!



– Kristen...o que...



– PORQUE VOCÊ NÃO ENTENDE? SAI DAQUI DROGA! ME DEIXA SOZINHA!



Trinquei meus dentes, sufocando o choro dentro de mim, determinada a não sair mais de mim nenhuma lágrima. Nem nada.



Eu me sentia quebrada. Sem a última peça. Um pedaço de corpo sem função. Como seria não ver o sol? Não ver que cor é o céu...não ver mais nada. Não saber quando alguém está triste...ou feliz.





Ouvi o som da porta batendo. Eu estava só. Esfreguei minhas mãos em minha face, limpando as poucas lágrimas que eu nem tinha percebido ao derramá-las. Só então abri meus olhos.



E lá estava a minha mais nova companheira: o nada. O preto sem fim.

E enquanto eu chorava pela última vez, arrancando soluços aflitos do peito lembrei de uma antiga aula de literatura, ainda na escola.









Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
Depois da Luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.
Porém, se acaba o Sol, por que nascia?
Se é tão formosa a Luz, por que não dura?







A poesia era de Gregório de Mattos. Um famoso autor do Barroco, escola literária do século XVIII. E aquela última frase martelava constantemente na minha cabeça, enquanto meus últimos suspiros aflitos terminavam em meu peito...





Se é tão formosa a luz, porque não dura...







Me encolhi de encontro a cama e acho que adormeci. E foi a primeira vez que eu percebi que os meus sonhos eram mais seguros que a minha realidade. A última coisa que me lembro foi do último raio de sol antes do anoitecer.









**



http://www.youtube.com/watch?v=FUFgIg9VCFc&feature=player_embedded



Sou como um pássaro. Eu simplesmente voarei embora

Não sei onde está minha alma, não sei onde está meu lar

(e baby só quero que saiba que)

Sou como um pássaro, Eu simplesmente voarei embora

Não sei onde está minha alma, Não sei onde está meu lar









Eu ainda passei mais duas semanas no hospital, com o médico me examinando dos pés a cabeça tentando descobrir o que tinha de errado comigo. No fim da primeira semana, em um dos exames ele percebeu o problema era na minha córnea, pois ela não transmitia a luz que eu recebia.





Não tinha nada a ser feito, a não ser esperar.

A única solução era um transplante. Isso poderia acontecer em alguns meses.



Se aparecesse alguém...Se eu conseguisse passar pela cirurgia...quando eu estivesse completamente curada de todos os machucados em meu corpo. Nada era fácil.



E até lá eu continuaria cega. Então apenas balancei a cabeça quando ele terminou de falar. Rob parecia feliz com a idéia e me abraçou. Eu apenas o afastei com o braço.



– Quero ir pra casa. – murmurei, seca.



– Semana que vem. – o médico anunciou.



– Certo.





Eu não gostava de abrir meus olhos. Gostava de sempre mantê-los fechados. Que utilidade eles teriam para mim agora? Nenhuma? Eles eram como uma perna de um amputado. A gente só pensa que ela está ali. Mas não está.





Me deitei na cama novamente, esperando que eles saíssem do quarto.





– Kristen...



– Pode ir.



– Até quando você vai ficar assim sem falar comigo? Eu sou seu marido...



– Por enquanto...- resmunguei.



– Como é?



– Poderíamos anular o casamento. Ele não foi consumado.



– Que besteira é essa que você está falando? Não vamo...



Mas qualquer coisa que ele queria dizer foi apagado pelo som agudo do celular. Ouvi ele bufar e atender a ligação, sussurrando.





– Não sei o que você...Não, eu já te dei...o que?



Depois o silêncio por alguns segundos, seguido de um som abafado.



– Preciso atender essa ligação. Depois nos falamos.



– Não tem pressa.



Ele pareceu suspirar forte. Depois, escutei apenas o pequeno barulho da porta se fechando. A opressão no peito voltava e eu apertava forte meus dedos, quase até sentir o sangue escorrer. Era a única forma de não pensar.

O telefone ao lado da minha cama tocou e eu o peguei sem pensar.



– Senhorita Kristen? Aqui é a da recepção. Deseja receber visitas?



– Quem é?



– Ela se chama Britney.



– Não quero ver ninguém. – E desliguei.





Eu não queria ser alvo de pena de ninguém. Eu não seria nenhum animal defeituoso que todo mundo fala ‘coitadinho’. Isso não combinava comigo. Então tomei uma decisão. Suspirei cansada, pegando novamente o bocal do telefone.



– Alô? Você pode fazer uma ligação? – Suspirei – Sim, sim...é interurbana. O número é...Obrigada.



Foi com o coração aos pulos que esperei ansiosa o toque do outro lado da linha.



– Alô? Aqui é a Kristen...Quero um favor seu...







**



– Vamos pra casa! – Rob anunciou, entrando no quarto. Eu tentava – inutilmente abotoar minha blusa de botões. Droga! Eu estava naquilo a quase meia hora...pelo jeito, meu tato era péssimo! – Eu te ajudo...



Ele afastou minhas mãos de perto da camisa e rapidamente fechou minha blusa.



– Pronto! Já está decente.



– Tá. Ok.



Balancei a cabeça, pondo meus cabelos por trás das orelhas. Eles me irritavam agora. Os fios estavam mais curtos na frente e a toda hora me batia nos olhos. Talvez eu cortasse tudo curto de vez.



– O médico já me passou tudo...Vou pedir uma cadeira de rodas para te levar até o carro e...



– Eu sou cega...NÃO INVÁLIDA. Posso andar ainda...



– Eu não falei...



– Podemos ir por favor? Quero dormir.



– Vamos.



Rob agarrou minha mão e eu me retrai. Mas que outra alternativa eu tinha? Sair batendo em tudo por aí? Rapidamente chegamos no carro e ele me colocou no banco da frente. O silêncio era desconfortável e só foi quebrado pelo barulho da água caindo.



– Está chovendo?



– Sim. Muito. Melhor fechar a janela e...



– Não. Pára.



– O que?



– Pára o carro.



– Mas está chovendo.



– Eu sei. Pára o carro.



Cinco minutos depois o carro parava e eu abri a porta, saindo rapidamente e dando apenas alguns passos ligeiros, sentindo a água escorrer pelo meu rosto quente, junto com minhas lágrimas retidas.





– KRISTEN! Vem, entra...



Eu achava que podia lidar com isso.

Mas não podia.

Não sozinha.



Me virei ao som de sua voz e num gesto impensado estiquei as mãos e Rob me abraçou firme. Ele também estava molhado. Afundei meu rosto em seu peito e dei vazão a toda aquela dor que me oprimia o peito.





– Shi...Tá tudo bem...Eu estou aqui...



Eu me afastei alguns centímetros do seu corpo.



– Você não percebe não é? – Pisquei. – Nada está bem.



Rob suspirou, agarrando a minha cabeça, encostando nossas testas molhadas uma na outra.



– Eu sei. Nada está bem agora. Mas vai ficar.



http://www.youtube.com/watch?v=vn32mPg1y68&feature=player_embedded



Eu não faço idéia se você é a pessoa certa

Mas eu gosto de você,e eu gosto de como você me faz sentir

Eu quero fazer isso direito

Não quero desperdiçar essa noite

Mas eu estou mergulhada

Mergulhada no teu amor



Me traga flores e fale durante horas

Uh,Eu gosto de você,Uh eu gosto de como você me faz sentir

Beije meu rosto,o teu abraço quente

Uh,Eu gosto de você,Uh eu gosto de como você me faz sentir





‘’Todo mundo é capaz de dominar uma dor, exceto quem a sente. ’’ (William Shakespeare)

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