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Jogo da Verdade - Capítulo 4


Capitulo 4


Não vou chorar. Nem lamentar. Eu ainda estava deitada nua na cama, encontrando forças para me levantar e ir embora para casa. Aquela insípida e aterrorizante casa onde eu morava. E se não fosse por ela, já teria partido a muito tempo. Talvez nem tivesse vindo.


Meu corpo doía. Minha vagina ardia. Aquele só era mais um fato de um sucessão deles em minha vida.


Só mais um, apenas.


Coloquei os pés para fora da cama, levantando-me. Conti um gemido de dor ao sentir uma pontada no meu baixo-ventre. Quase minha resolução de não chorar vinha abaixo quando vi uma mancha de sangue no lençol da cama.




Ele foi bruto. Rude. Arrogante e ... gostoso. Tinha valido cada segundo. O prazer suplantou a dor. Suspirei, balançando a cabeça em negativo, resoluta em deixar aquele acontecimento esquecido em uma parte longínqua da minha mente.

Vesti as roupas, troquei os lençóis da cama, peguei o dinheiro da gorjetas, minha bolsa e abri a porta.

Eu não lamentava. Nem por um segundo. Tinha sido bom demais para que eu pudesse me arrepender.

Mas o que é bom, dura pouco... Pouco demais, porque provavelmente eu nunca mais o veria. Robert não apareceria no meu caminho novamente, porque eu ainda teria um longo, complicado e duro caminho pela frente.


Distrações não teriam vez.

E ele mal tinha começado. Eu nem tinha começado, alías. Ainda me permiti olhar para o quarto uma última vez.

Última vez. Ele é passado. Foi presente, mas nunca futuro. Eu nem imaginava que tipo de futuro descortinava à minha frente. Pelo jeito, não o melhor dos futuros, mas ainda sim, futuro. Aquela sensação do inesperado me aplacou novamente. E eu senti... Medo. Pela primeira vez, era só medo. E nada mais.

Se continuasse assim... Não sei. Fechei a porta e resolvi não pensar em mais nada. E em mais ninguém.

(...)

Estava terrivelmente escuro quando enfim abro a porta do meu apartamento. De novo sufoco o choro, ficando preso na garganta. Acendo a luz. Tudo fica melhor no meio das luzes não é?

Joguei minha bolsa num canto da sala e sorri.

Meu estômago roncava. Eu estava viva. Tem dádiva melhor que essa?

Vi as  duas cartas intocáveis na mesinha da sala. Desde que saí de lá, não tive coragem de lê-la. A primeira, aquela que a Emily tinha me dado ainda viva, pois a segunda eu li e reli tantas vezes que decorei cada linha, nuance nome. O modo como o papel vibrava e dobrava a cada gesto meu, tentando desvendar o que aquela maldita frase queria dizer.

E o nome? Quem era ele? Seria o verdadeiro assassino da minha irmã?

Mas hoje seria diferente.Não queria pensar na minha irmã pálida e sem vida em meus braços. Não. Eu não queria isso. Foi com um meio sorriso no rosto que peguei a primeira carta.

A que eu temia ler.

A carta cheirava a flores...e a vida. Era tão palpável a presença dela escrevendo cada linha. Quase até podia ver seu rosto debruçado sobre o papel, sorrindo e escrevendo. Mal pudi evitar que uma lágrima rolasse solitária pelo meu rosto. Dei um último suspiro antes de finalmente abrir a carta e começar a ler.

Kiki,

Ok, eu sei que você detesta esse apelido. Mas me perdoa tá bom? Você sempre perdoa mas adoro te chamar de Kiki... é tão você.

Se está lendo a minha carta, você viajou! Não tem noção de como feliz eu estou. É aí o seu lugar, nunca foi aqui. E nem pense em voltar, ouviu bem? Se voltar, quem não te perdoa sou eu irmãzinha. Posso falar de mim?

Ele está aqui. E isso me faz transbordar de felicidade. Nunca pensei que poderia amar uma pessoa assim...Mas eu amo. Infinitamente. É tudo tão mágico e inesperado. Incrível como temos os mesmos sonhos. Ele vai fazer 18 anos também. Somos do mesmo dia, só que em meses diferentes.

Não é interessante?

E a Faculdade... é tão empolgante quanto imagino ser? Não faça tantas loucuras por aí...ainda quero te ver inteirinha.

O M. disse para você procurar um tal de Robert Pattinson. Ele insiste nisso. Na verdade, ele está insistindo agora.Você viu uma caixinha pequena e fechada no envelope? Entregue a ele.

Por favor, tente encontrá-lo. Kris, é muito importante que entre isso ao Robert.Não temos idéia onde encontrá-lo, essa é a verdade...mas se um dia você topar com ele pela rua...entregue. É importante.

Não vai negar um último pedido da sua irmã caçula, não é mesmo?

Amo você e seja feliz, mesmo tão longe de mim.

Emily.

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