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Bring Me Flowers - Capítulo II


Capítulo II

Eu tinha acabado todos os arranjos. Era o meu trabalho e ao mesmo tempo me tranqüilizava. Quase como uma terapia. Eu mal podia lembrar quando eu comecei com isso. Eu ainda tentava me acostumar a tudo a minha volta. Eu tinha 22 anos. Certo. Eu era nova...Mas...era estranho não ter uma família. Me lembro quando falava para a mamãe que queria casar e ter filhos. Pelo menos três.



Eu tinha 17 anos. Era tão claro e nítido o sorriso dela para mim. Quase como se ela estivesse ali. Do meu lado. Passei as mãos pela minha testa, afastando o suor formado e suspirei. Era tudo tão nublado ainda.



Há quanto tempo mesmo tinha sido aquele acidente? Alguns meses? Meus pais tinham morrido. Eu sabia...Mas algo faltava. Era como se eu estivesse perdendo algo.




Algo muito importante. Como se fosse vital. E eu estava deixando passar.
Quase ri com meu pensamento.
Se fosse importante eu lembraria né?
O que poderia ter acontecido de tão importante nos últimos dois anos. Era isso. Após o acidente minha mente entrou em um vão escuro e se negava a lembrar o que tinha acontecido dos meus 20 anos...até agora...Até alguns meses atrás.



– Kristen! – Jill entrou no terraço, me fazendo esquecer os pensamentos confusos. Sorri brevemente, me levantando espalhando o delicioso aroma de flores ao redor.

Por algum motivo estranho eu amava aquele cheiro. Aquelas flores, especificamente.

– O que foi? – ela perguntou, provavelmente sentindo algo estranho em meu rosto, resultado daqueles pensamentos esquisitos que eu estava tendo.


– Nada.

Ela levantou a sobrancelha, pondo as mãos na cintura.


– Nada importante – suspirei , limpando as pequenas folhas caídas em minha roupa. Prendi o cabelo mais apertado. Um vento passou, me fazendo sentir um arrepio gostoso. – Aconteceu algo?

– Não...Quer dizer....Eles chegaram.

– Os do batizado?

– Exato.

Sorri, tirando o avental e minhas luvas. Olhei rapidamente no espelho, vendo se minha aparência estava apresentável. Eram clientes e aprendi com a mamãe que a apresentar-se razoável e limpa era fundamental em qualquer negócio.

Eu vou ser florista mamãe.  

Eu a vi sorrindo. Como um raio de sol. Sua presença era revigorante para todos ao redor. Eu sentia uma paz tão grande quando ela me abraçava e foi com uma voz hesitante que eu falei queria trabalhar com flores. Eu tinha 17 anos...


Mas ela apenas pegou em minha mão e nos sentamos lado a lado no sofá. Seus dedos macios faziam desenhos circulares em minha mão.

“Por que?”

Ela me perguntou. No primeiro instante eu fiquei sem entender a que ela estava se referindo mas entendi.

“Porque eu quero ser florista?”

“Exatamente. Porque você quer ser florista?”

“Eu não sei mamãe. Eu só gosto. Isso é ruim?”

“Não.Isso definitivamente não é ruim”




Sai da parte de trás da loja ainda passando as mãos pela minha roupa. Levantei a cabeça encontrando uma mulher baixinha, de cabelos negros, arrepiados, de olhos castinhos. E branca. Muito branquinha. Parecia uma boneca. Ela tinha um bebê no colo, que aparentava ter mais de um ano. Ele estava todo vestido de azul e tinha os cabelos castanhos.



Sim, definitivamente, ele era lindo.
Eu quase suspirei, pensando da minha falta de sorte. Senti um aperto forte no coração, que reneguei lá para o fundo. Estendi a mão, ainda sorrindo.



– Olá! Sou a Kristen.

Ela deu um sorrisinho e quase podia apostar que ela sairia saltitando por aí. Seus olhos pareciam brilhar quando me estendeu a mão livre, com a outra segurava o bebê no colo.

–Eu sei. Sou A..Alice.

– Você sabe? Me conhece?

Seu rosto parecia desmoronar enquanto dava um passo atrás.

– Sua...sua assistente me falou. Que era a Kristen responsável pelos arranjos.

– Há, tudo bem...- sorri. – Venha. Venha ver os arranjos.

Demos alguns passos e mostrei a ela os arranjos que tinha acabado de terminar. Ela parecia deslumbrada. Não. Encantada. Tocou as flores quase com uma reverência e fiquei espantada quando ela olhou para a mão com os olhos marejados.

– Kris...

Eu pisquei, sem entender.

– Você está bem? Alice...não é?

Ela apenas balançou a cabeça e as lágrimas aumentaram.

– Eu posso te ajudar...de alguma maneira?

–Oh meu deus... – ela gaguejou e as lágrimas correram soltas pelo seu rosto, levemente róseo. Antes que eu pudesse fazer qualquer coisa, ouço um murmurinho e então um homem entra, olhando para nós espantando.

– ALICE!

Ele gritou e ela correu para ele, que a abraçou firmemente. O que estava acontecendo ali? Eu me aproximei quando ela parou de chorar.

– Está tudo bem senhora?

Ela parecia estar muda e olhou para o homem, que agora estava com o bebê no braço, que surpreendentemente, dormia.



– Desculpe...- ele raspou a garganta. – Minha mulher...está sensível...muito...ultimamente. Vou mandar alguém buscar os arranjos. – Olhei para Alice, que agora enxugava as lágrimas do rosto - Ela não devia ter vindo. – Ele acrescentou – Vou mandar alguém vir buscar mais tarde.

– Tudo bem. – Falei. O homem pôs os braços sobre os ombros da garota e partiram. Como se nada tivesse acontecido. Eu levei minha mão ao peito e novamente...pela terceira vez no dia...eu tinha a sensação que algo me escapava.

Algo vital. Algo que valia a pena.

Um comentário:

  1. Descobri este site agora, e não consigo mais parar de ler tudoo!!!!!!!!!!!!!!!
    Muito bom!!!

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