Capítulo III
– Kristen...
Olhei para cima. Era a Jill, trocada de roupa. Vestia um macacão de jeans e tinha o cabelo solto. Ela sorriu, vendo a bagunça em que eu me encontrava, sentada no chão, cercada de papéis. Era a parte chata de se ter um negócio próprio. Reprimi uma careta, me apoiando na mesa, tomando impulso. Ela estendeu a mão até mim.
– Já vai?
Jill balançou cabeça, afirmando e apontando para o lado de fora da loja. Ela sorria abertamente e suas bochechas estavam rosadas.
– Seu namorado?
– É. - Ela riu baixinho - Nós...ele me pediu em namoro ontem...oh, deus...foi tão fofo...
– Imagino que sim...
– Você vai ficar bem ? - ela estreitou os olhos em minha direção.
– Claro que sim. - Suspirei, tirando uma mecha de cabelo que caia no meio rosto. Pisquei. - Vá lá. Além do mais, já vou fechar mesmo... Estou com um cansaço esquisito.
– Ok, se cuida - e me beijou. Jill saiu quase correndo. Fui até a porta, e cheguei a ver ela entrando num carro e partindo. Dei a volta, fechando o portão. Apertei minha nuca, virando de um lado para o outro, tentando dissolver um nó de tensão que se formava ali.
Guardei tudo e fui embora. Para casa. Nada como uma noite de sono a fim de voltar tudo ao normal. Foi tão estranho a visita daquela mulher lá...e depois ela começou a chorar. Nunca alguém tinha tido aquele tipo de reação ao ver minhas flores.
–
– Vamos lá, Kris... Não vai dormir o dia inteiro não é?
Minha cabeça latejava um pouco enquanto eu tentava abrir meus olhos. Meus músculos pareciam estar pesando cem quilos. Peguei o lençol e me enrolei de novo, fazendo um pequeno ninho ao redor de mim.
Eu estava com sono. Muito sonho. E um frio. Senti calafrios quando alguém tirou o lençol ao redor de meu rosto, beijando meu pescoço. De alguma maneira estranha, eu me senti bem. E familiar.
– Vamos lá, amor...Venha.
E de novo o beijo no meu rosto. Eu continuava de olhos fechados, usufruindo daquela sensação macia e gostosa ao meu redor. Somos prisioneiros da nossa realidade e da nossa distância... Apertei meus olhos com força, quase chegando a doer.
– Você não está doente não é? Está amor? Vamos lá...fale comigo.
Aquela voz me fazia sentir tão bem. Era como me sentir inteira outra vez. Minha mente criou vida própria...e foi para um passado não muito longe dali.
Se algum dia, em muito tempo, vocês não se recordarem do passado, lembrem somente que 6 pessoas, deram a vida para fazer vocês felizes.
Meu pai vivia falando isso, para todos aqueles garotos que iam nos visitar. Em nossa casa. E quase todos tinham a mesma reação: choravam. Eu nunca pudi entender como eles podiam chorar tanto...
– Você sabe que está me preocupando não é?
E me vi sendo descoberta. Continuei de olhos fechados.
– Vamos lá...Abra esses olhos docinho...Eu gosto de ver o tom de verde que eles adquirem quando você acorda.
Ele sussurrava ao pé do meu ouvido. Foi impossível deter os arrepios constantes pela base da minha coluna até o pé. Indo e voltando. Continuadamente.
HOM TO YOU by MICHAEL LEARNS TO ROCK ( MLTR)
Foi como me afogar. Arfei pela visão que estava tendo. Ele estava lá. Na minha frente. Lindo. Meu próprio milagre pessoal. Funguei e comecei a chorar. Ele ainda me apertava nos braços, enxugando minhas lágrimas que não paravam de cair.
– Ok, você está me assustando mesmo linda. – Ele retirou meus cabelos da frente do meu rosto, massageando minha bochecha. – Você não está mesmo doente?
– N...não.
– Então...o que houve?
– Eu tive um pesadelo... – Gaguejei, me arrumando mais de encontro a seu peito. Suspirei ao sentir o calor conhecido. Um calor nosso.
– Porque não conta?
Minha garganta parecia travar mas apertei as suas mãos com força, suspirando. Tinha sido isso. Um terrível pesadelo não é?
– Eu...eu estava sozinha...
Ele me apertou, me incitando a prosseguir. Engoli em seco.
– Você...você não existia lá. Foi como se a gente nunca tivesse se conhecido nem...- mordi os lábios – nem nada. Era a minha vida. A nossa loja. A Jill...Mas você não estava lá. Em parte alguma.
Eu podia sentir meus olhos ficarem úmidos de novo, mas ele me fez virar encarando seus olhos azuis sérios.
– Impossível. – Ele encostou minha testa na dele. – Você apenas não me via...eu sempre vou estar com você...de uma maneira ou de outra...Eu amo você lembra?
– Também te amo.
E voltamos a nos deitar. Dessa vez ele estava atrás de mim, abraçando minha cintura, sentindo nosso calor fluir de um corpo para o outro. Eu respirei mais aliviada e fechei os olhos, deixando que o sono me levasse de volta...
“As melhores e mais importantes coisas da vida não se podem ver, nem tocar, elas devem ser sentidas com o coração”.
(Charles Chaplin)
Call Our Toll-Free Number: 123-444-5555






0 comentários:
Deixe seu comentário ou impressão sobre o texto acima. Mensagens ofensivas serão deletadas.