Pequenas Escolhas da Vida - Capitulo 14
Bocejei.
Olhei para meus próprios pés nus, em algum ponto invisível que me fazia não querer desviar meus olhos dali.
Meus dedos dos pés estavam pintados na cor de um vermelho intenso por insistência da Brit, que buzinou quase uma hora que essa cor lembrava paixão e serviria para apimentar a minha lua-de-mel.
Como se eu precisasse realmente daquele artifício.
Não entre mim e o Rob.
Rolei os olhos, voltando a encarar o espelho, mal reconhecendo a minha face do outro lado. Percebi o vinco profundo em minha testa, como se eu estivesse velha demais de repente.
O que não fazia o menor sentido.
Meu casamento era amanhã.
Eu tinha toda a uma vida longa com o Rob. Em breve, meu marido.
Quem poderia imaginar que nós, de personalidades tão diferentes estivéssemos realmente juntos ? Foram poucos meses mas eu não conseguia me imaginar vivendo dia após dia sem isso.
Sem a cumplicidade implícita que tínhamos. Era estranho como de uma hora ou outra alguém entrava na nossa vida e se tornava tão real.
Vital.
Não era como se eu pudesse morrer ou vegetasse se não estivéssemos juntos.
Em algum momento eu percebi que poderia viver sem ele.
De alguma maneira dolorosa eu poderia. O ser humano é facilmente acomodável nas situações mais diversas.
Ora essa...não existia gente vivendo lá no Alasca? Onde as condições climáticas são as mais desconfortáveis possíveis?
Possibilidade.
Escolhas.
Era isso.
O Rob era a minha escolha.
A minha possibilidade de viver da melhor maneira possível.
Ele era a minha parte adaptável.
Parte vital da minha vida.
Eu escolhi ser dele.
Essa era a minha verdadeira escolha...e todo o resto...
O resto? Eram apenas detalhes que faziam da minha escolha algo forte.
Detalhes que faziam toda a diferença.
De novo percebi a mudança em meu olhar. O verde nunca esteve tão escuro.
Nublado.
Parecia a cor do céu quando uma tempestade se aproximava. Ela não tinha caído ainda mas ela se aproximava.
– Ei, você...
– Oi...
Murmurei de volta, o abraçando pela cintura, afundando meu rosto no seu peito. Imediatamente aspirei seu cheiro único que me deixava levemente tonta.
– Tudo bem?
– Acho que é normal ficarmos meio...aéreas na véspera? – Perguntei, dando um passo atrás. Ele agarrou minha mão com força e fiquei assustada com o que vi em seus olhos.
– Kris...você...
– Eu te amo. – sussurrei, sorrindo ligeiro – Nada disso mudou. Nem vai mudar...
Rob passou os dedos pelo meu rosto, eu suspirei fechando os olhos momentaneamente.
– Você está...
– Eu estou...bem...só estava pensando na nossa vida...
Ele uniu as sobrancelhas num claro ato de confusão.
– Você sabe que podemos desistir ok? Se você quiser podemos adiar tudo e nos casarmos em outro dia...se você...
– Rob...está tudo pronto...
– E daí? – ele sorriu – Podemos fugir... viajar...só não quero que faça nada obrigada.
– Eu não faço, seu bobo. – Sorri de volta, dando um selinho rápido. Rob apertou minha cintura e estávamos mais perto ainda. – Eu te amo. Quero me casar com você, senhor sério. Essa é a minha escolha.
Ele apenas sorriu, me suspendendo do ar a alguns centímetros do chão.
– Podemos ir para cama então...?
– Cama? – Olhei em volta achando o relógio na parede da sala apontando para o seis. Estávamos no meu apartamento. O meu minúsculo apartamento. Depois do casamento iríamos morar no do Rob, que era maior. Durante essas semanas ele tinha sido reformado e agora estava do nosso jeito. Com a nossa cara. E desde então Rob dormia comigo. Juntos.
Brit deu um pequeno ataque quando falamos que o Rob não tinha a mínina intenção de dormir em outro lugar na véspera do casamento. Eu gritei de volta quando ela cogitou uma despedida de solteira.
Eu ein!
Depois do susto da separação eu ainda não estava recuperada totalmente dessa loucura da Brit. Deus! Eu ainda tinha dificuldade de assimilar como ela tinha convencido o Rob dessa loucura...
Então estávamos aqui. Juntos.
No nosso último dia...
Não era como se um dia para o outro tudo fosse mudar de repente porque estávamos casados. Isso não aconteceria.
– Não é muito cedo para dormir não, senhor Robert?
– Eu não falei que íamos dormir, honey...só que íamos para cama.
Eu sorri, agarrando com minhas duas pernas sua cintura. Ser pequena tinha grandes vantagens. Muito grandes. Prendi minhas duas mãos ao redor do pescoço do Rob.
– O que pretende fazer comigo senhor mau?
Rob gargalhou.
Deus!
Eu amava loucamente quando ele ria solto aqui. Se pudesse faria o tempo todo ele rir assim. Era como se ele fosse mais meu. Era como ficar mais perto de algo inatingível. Eu sabia que por trás de toda aqueça seriedade o Rob me escondia algo.
Não que fosse grave.
Mas eu sabia que na hora certa.
Na hora dele.
Ele iria me contar, sem pressões.
Pelo simples fato de querer compartilhar isso comigo.
– Oh, senhorita eu vou abusar muito de você...
Meu estômago quase dobrou de antecipação. Eu tossi baixo, mordendo meus lábios e lambendo em seguida. Aproximei minha boca de sua orelha, mordendo o lóbulo e murmurando com uma voz rouca que nem mesmo eu sabia de onde tinha saído aquilo. Raspei a garganta.
– Eu adoro quando você abusa de mim senhor...- minha língua subia e descia, mordiscando seu pescoço com força... – Eu estou tão molhada...
– Puta merda, Kristen...- Rob gemeu...- Você é tão quente, honey...
– Muito, baby...Muito molhada e quente...Pretende fazer algo a respeito?
Eu só percebi que já estávamos na cama quando ele me jogou no colchão e eu quiquei levemente. Me apoiei em meu próprio cotovelo, mordendo os lábios. Com uma das mãos, o chamei.
Rob não perdeu muito tempo. Eu babei quando o vi tirando a roupa.
Suspirei contente quando ele se juntou a mim na cama.
**
– Isso espeta!
– Se você ficasse quieta não espetava, Kristen!
Rolei os olhos, vendo a Brit fazer uns reparos invisíveis no meu vestido de casamento. Olhei o relógio. Suspirei. Rob estava me esperando no altar da igreja. O estranho tom de verde nublado ainda aparecia em meu rosto pálido.
– Pronto! Podemos ir agora.
Foi inevitável meu coração não disparar aflito.
Demos a volta e mal reparei quando a porta da igreja me encarava. A filha da Brit estava linda. Sorridente. Na minha frente. Minha linda dama-de-honra.
A porta se abriu e de repente nada mais importava.
Eu não lembrava de mais nada nem de ninguém.
Lá estava ele sorrindo.
Eu só fiz sorrir de volta.
Algo de muito importante estava prestes a acontecer.
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