Eu podia sentir meu coração palpitando. Não era excitação. Era puro medo. Ele gargalhou praticamente dentro da minha boca, soltando pequenos pingos. Limpei meu rosto com a mão que estava solta, porque a outra ele mantinha muito bem presa. E estava doendo.
Cadê o Robert? Pela primeira vez, eu queria muito que ele estivesse ali. O homem cheirava a esgoto e me enojava. Meu estômago embrulhou só em pensar dele fazendo qualquer coisa comigo. Seus lábios voaram em meu pescoço e tentei não gritar de dor. Era enojante e antes que eu pudesse perceber as lágrimas corriam soltas pelo meu rosto e ele riu de novo.
– Com medo gatinha? Você ainda não viu nada.
– Me solta...por favor...me solta...Não... – Gritei assustada quando a mão dele tocou minha intimidade por baixo da saia.
–Hun...Já veio pronta?
– Me solta.
– Quem mandou você vir sozinha? É perigoso andar por aí só sabia?
Droga. Eu devia ter ficado no quarto, por mais que Robert insistisse. E ele nem tinha insistido muito! Sua idiota estúpida!
–Ai! – Gritei, ao sentir dois dedos dele me penetrando. – Me solta! Eu não vim só!
– Não? – ele riu – E com quem você veio?
– Com o Robert.
E ele parou. De fazer tudo. Seu olhar era transtornado. Seus dedos saíram de dentro de mim, dando dois passos atrás, como se eu fosse algo contagioso. A impressão que eu tinha era que ele correria a qualquer instante.
–Kristen? Onde...
Era o Robert. Ele olhou para o cara que quase tinha me estuprado e depois para mim, analisando o óbvio.
– Ele...transou com você?
Balancei a cabeça em negativo.
– Mas foi quase. – murmurei num sussurro.
– Quase? – sua voz era gélida, cortante e me deu medo. – Como quase?
– Ele enfiou os dedos em mim.
Tentei olhar para o cara de novo, mas ele tinha sumido.
– Vem cá, Kristen – Rob me chamou mas simplesmente não conseguia obedecer. Minhas pernas tremiam. Oh, Deus, quem eu queria enganar? Meu corpo tremia! Se...ele não tivesse chegado...eu...OMG... Não queria nem pensar. Meu corpo foi caindo mole até o chão e comecei a chorar.
Eu devia voltar para casa. Esquecer tudo. Realmente valia a pena tudo aquilo? Não conseguia me reconhecer. Minha mãe tinha razão... Eu não deveria ter começado nada daquilo.
Tomei um susto quando senti um toque no meu ombro.
–Ei, já passou.
– Eu...eu só... – gaguejei, incapaz de formar qualquer sentença legível. – Rob, ele ia...e se voltar?
– Ele não vai voltar. – Fechei os olhos, tentando me acalmar. Suas mãos alisavam meus cabelos e fui, aos poucos, me sentindo melhor. – Eu não brinquei quando falei que você seria só minha. De mais ninguém.
– Como você sabe que ele não vai voltar.
–Confie em mim. Ele não vai. Digamos... Que eu tenho contatos.
Engoli em seco, me forçando a encarar seus brilhantes olhos azuis. Era reconfortante. Eu poderia facilmente passar o resto da noite só olhando para seus olhos.
Os olhos são o espelho da alma.
Minha mãe sempre fazia questão de dizer. Será? Porque nesse momento, os olhos dele me pareciam tão pacientes e...algo mais.
Então sorri entre as lágrimas. Eu devia estar com a cara inchada, mas mesmo assim ele me puxou para seu colo e praticamente me engoliu com o beijo.
É definitivamente eu era dele. Somente dele.
Meus braços imediatamente alcançaram a base do seu pescoço e adentraram por seus cabelos estranhamente arrumados. Estávamos sentados num chão escuro nos pegando no meio da festa. Eu não pensei em nada disso.
Meu cérebro não trabalhava. Minha vagina sim. Ela estava quente e sedenta, precisando de um alívio imediato. Foi então que ele desgrudou a boca da minha. Gemi frustrada.
– Temos que ir.
Minha boca estava inchada e formigava pelos seus beijos. Ou a falta deles. Levantei-me mecanicamente mal sustentando o peso nas minhas pernas. Rob me levou pela mão, desviando de cada estudante bêbado pelo caminho.
Ele quase corria e eu não era louca de perguntar o porquê de tudo aquilo. O olhar da irmã dele ainda me queimava as costas e me senti mal. Mas seu toque era cálido e não me vi pensando em mais nada. Quem se importava onde ele estava me levando?
***
Bem, ele me levou para um quarto. Nada mais óbvio né? Do jeito que eu estava ele podia me encostar-se a uma parede qualquer e pegar de um jeito que só ele sabia. Mas Rob parecia ter outros planos. E pelo olhar dele, não incluíam sexo ardente no meio da festa. Cruzei os braços, esperando ele falar.
– Eu sei quem você é.
Ta.Meu coração não disparou e eu nem parei de respirar. Como se isso não fosse possível ao escutar o que ele falou. Mexi as mãos pelos cabelos, incontrolavelmente.
–Claro que sabe. Sou a Kristen.
Ele riu. Gargalhou. Comecei a me sentir nervosa. De novo.
– Seu nome é Kristen. Eu sei. A Ashley também sabe.
– Sua irmã?
– Exato. Ela é totalmente contra do que do estou fazendo com você.
Certo, Kristen. É só você respirar que tudo vai acabar bem. Só...respire.
– E...o ...que você está fazendo comigo? – gaguejei e ele sorriu, mexendo a sobrancelha de um jeito estranhamente familiar.
– Não sabe?
Dei mais alguns passos até que estivéssemos a centímetros dE distância e sussurrei baixinho.
– Ta...falando do sexo? – Foi inevitável. Senti meu rosto pegando fogo e Rob passou o dedo por toda extensão dele. – Hun... Não sei se você sabe, mas eu gosto. Quer dizer, eu gosto de transar com você. É bom.
Droga! Porque Ele resolveu ficar calado logo agora? Eu estava uma pilha de nervos e Robert ficar calado não melhorava em nada. Piorava ainda mais. Eu tinha a sensação de que poderia sair gritando pela casa a qualquer momento. Há, quem sabe eu não fosse internada num hospício.
Mas é claro! Como não pensei nisso antes? Acabariam todos os meus problemas.
– Eu sei que você gosta Kristen. Desde o primeiro momento. A partir do momento que seus olhos não desgrudaram dos meus. Eu sabia. Seu corpo seria meu. Unicamente. Não era minha intenção inicial ter qualquer tipo de envolvimento com você.
– Inicial?
– Sei que você é irmã da Emily e tem algo que é meu.
– Como é?
Eu estava delirando. Ele não tinha falado na Emily.
– Me entregue a caixinha Kristen.
– Ei! Espere aí! Tenho que saber de muita coisa antes... – suspirei fundo – Você... Você matou minha irmã?
– Claro que não! – ele riu. – De onde tirou isso?
– Eu... Eu não sei. Você é o único que eu tenho algum tipo de contato. Ela só me falou de você.
– De mim? A Emily? Tem certeza?
– Tenho. Ela deixou uma carta. – pensei um pouco e me lembrei. – Espera, tem o Michael! Mas acho que era namorado dela...
–Michael? Ele estava com sua irmã?
–Estava. Foi ele que pediu a Em para te entregar a caixinha.
–Meu Deus! O Michael...não pode ser...
Eu estava ficando assustada e totalmente sem entender nada. Ele andava em círculos pelo quarto, já me deixando doida.
– Rob! O que está havendo?
– O Michael...ele...Céus, ele deveria estar morto.
– Morto? Isso está ainda mais confuso. Ele era realmente namorado da minha irmã?
– Eu...acho que sim.
– Ele a matou?
Rob gargalhou e eu senti medo.
– Ele não seria capaz de matar nem uma mosca...a não ser...
– A não ser?
Andei mais alguns passos ficando bem perto dele.
– Porque eu deveria te contar Kristen?
– Que?
Merda. Do que ele estava falando? Era bom Rob ter começado a falar assim e por um segundo percebi que poderia realmente saber quem tinha matado minha irmã.
– Vem cá. – Rob me puxou pelo braço e cai em seu colo. Fique tensa imediatamente quando ele alisou a minha perna exposta pela saia.
– O que...-tremi- o que você quer para me falar...o que sabe?
– Para começar?
Engoli em seco, trêmula.
– Eu quero entrar tão...forte...tão forte Kristen – Suspirei quando ele mordiscou a pela do meu pescoço, dando mordidas até meu colo. – Que você vai esquecer até seu nome hoje.
– É isso?
– Por hoje sim.
Por hoje? O que ele queria ainda de mim?
– Tire o vestido, Kristen.
– Que?
– Quero te ver nua. Tire o vestido.
Tentei sair do seu colo mas ele me prendeu na cintura. Eu o olhei sem entender.
– Não saia do meu colo.
Encachei melhor meu quadril no seu colo e quase gemi quando senti a ereção dele de encontro a meu abdômen. Mordi meu lábio até quase sangrar.
0 comentários:
Deixe seu comentário ou impressão sobre o texto acima. Mensagens ofensivas serão deletadas.