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Bring Me Flowers - Capítulo V


Capitulo V




Como podia ser tão longe? Olhei para os lados e parecia mais escuro do que de costume. E deserto. Mordi minhas próprias bochechas, enviando um pouco de dor às minhas terminações nervosas me fazendo suspirar. Olhei pelo menos umas três vezes para ver se o endereço estava correto. Então toquei a campainha.



A casa tinha um portão enorme e me parecia ter dois andares, pelo menos é o que dava para ver da minha altura. Passaram-se quase cinco minutos quando a porta abriu-se. Eu estava a ponto de desistir e ir embora. Seria bem mais prático ter telefonado e eles viriam buscar o que sei lá que tivesse ali dentro. Mas um homem alto e sério abriu a porta.




Então eu sorri, mexendo a cabeça, momentaneamente sem saber o que fazer.

– Olá...a Alice está?



Ele me olhou de cima a baixo, provavelmente analisando a minha roupa simples. Suspirei quando ele voltou a encontrar com meus olhos.

– Vou ver se ela pode atendê-la...Qual seu nome?


– É Kristen.


Para meu horror, eu o vi fechando a porta. Antes que acabasse por completo eu pus o pé. Ele me olhou como se eu fosse algum tipo de doida.

–Desculpe. Posso esperar ai dentro? Está escuro...e aqui...é bem deserto...eu...

– Pode entrar.


A brecha na porta aumentou e eu entrei no jardim, olhando em volta, totalmente abismada com a casa. Antes de tudo era linda. Tinha árvores plantadas em volta, fazendo todo o local ter um sentimento bucólico*inspirador. Tudo em volta me remetia a isso. Era a forma exata do Inutilia truncat , deixando apenas o essencial. Não tinha nada em exagero, tudo se conectiva de uma maneira mágica. Sem resisti, me vi sorrindo admirando as árvores que rodeavam tudo ao redor.



A natureza acena com a ordem nos prados e nos campos, os indivíduos resgatam sentimentos corroídos pelo progresso...  






Aquilo estava martelando na minha cabeça, enquanto meus olhos vagaram pela imagem que parecia transcender aos meus olhos. E, ao contrário do que se podia esperar, eu não fiquei irritada...nem tentada a descobrir de onde aquela frase tinha vindo.



Eu até agradecia por isso. Meu peito, encheu-se de felicidade, trazendo um calor gentil a todo o meu corpo. De algum modo, eu estava certa. Desde o começo. Em vim pessoalmente entregar esse pacote a verdadeira dona. Tudo teria valido a pena, somente para ter aquela sensação de prazer me engolfando.



Eu quase podia visualizar a lembrança com toda a sua nitidez, praticamente palpável, mas toda àquela realidade alternativa foi quebrada com a voz atrás de mim.



* Bucolismo – Termo utilizado para designar uma espécie de poesia pastoral, que descreve a qualidade ou o caráter dos costumes rurais, exaltando as belezas da vida campestre e da natureza, característica do arcadismo
Inutilia truncat  = Do latim, cortar o inútil.










– Ei, você! – Me virei de repente encontrando aquela baixinha nervosa e saltitante do outro dia. Sorri contente e ela sorriu de volta, aproximando-se. Olhei para mim e em seguida enrugou a testa, sem entender. – Algum problema?



Balancei a cabeça, negando que algo de ruim tivesse acontecido.


– Não...só...- e estendi o pacote – Isso é seu.


Ela parecia não entender do que se tratava, balançando o pacote, sem reconhecer o embrulho avermelhado.

– Tem certeza?


– Tem seu nome.


Ela balançou a cabeça e delicadamente desamarrou o laço que prendia o papel presente que envolvia a caixa. Embaixo de tudo aquilo tinha uma menor, brilhante. Ela continuou intrigada e destampou o pacote.



– Oh meu deus! – Ela gritou. Fiquei sem reação ao ver lágrimas grossas caindo pelo seu rosto. A Alice parecia em transe. Como se ela estivesse profundamente mergulhada em grande sofrimento. – On...onde...você achou...isso? – ela gaguejou e eu me senti imediatamente mal.

– Na minha loja. Me desculpe...pensei que você tinha deixado cair...e vim devolver...parecia...importante...Acho melhor eu ir...logo...


– Espera.


Seus olhos castanhos ainda úmidos me encararam de volta.

– Foi...É da minha cunhada. Mulher do meu irmão...Ela – Alice fechou os olhos como se a dor fosse demais para que ela pudesse encarar de olhos abertas – não está mais entre nós...Antes de tudo acontecer....- ela suspirou, passando as mãos agitadas pelos cabelos – Ela disse que ia me dar um presente para a chegada do meu bebê...- Alice sorriu triste. – Infelizmente ela nunca pode....me entregar na época...


– Sinto muito...eu...eu vou embora.


Alice ainda me encarou por longos segundos antes de de finalmente balançar a cabeça, aceitando o fato.



– Sim...é o melhor... – Ela sussurrou. Eu balancei a cabeça de volta, praticamente correndo até a saída...não antes de escutar uma voz masculina gritar um nome...


Sara.


O que é pior, novas feridas que são terrivelmente dolorosas ou velhas feridas que deveriam ter se curado anos atrás mas nunca o fizeram? Talvez nossas antigas feridas nos ensinem algo. Elas nos lembram de onde estivemos e o que superamos. Elas nos ensinam lições sobre o que evitar no futuro. Isso é o que nós gostamos de pensar. Mas não é assim que as coisas são, não é? Algumas coisas nós simplesmente temos que aprender de novo e de novo e de novo mais uma vez.  (G.A)

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