Call Our Toll-Free Number: 123-444-5555

Good Night My Angel - Capítulo 6



CAPITULO 6



Sabemos o que somos, mas não sabemos o que poderemos ser
William Shakespeare




“Acorda bonequinha” – sussurrei enquanto estacionava o carro no jardim da casa dos meus pais. Apertei meus olhos, tendo lembranças indesejáveis da última vez que estive lá. Sai de lá grávida e voltava agora com uma filha nos braços. “Julie...”





“To com sonoooo” – ela resmungou do banco traseiro, esfregando os olhos.





“Mas chegamos. Vamos!” – Sai do carro, dando a volta e tirando ela da cadeirinha. Julie pulou no chão, achando graça das flores que faziam caminho até a casa. Ela dava alguns gritinhos enquanto via as flores de cores diferentes. “Você lembra do que a gente falou?”





Me abaixei, ficando na sua altura. Ela agarrava aquele urso fedorento em uma das mãos e sorriu fracamente.





“Eu vou conhecer a vovó e o vovô...”



“Mais ou menos...Nós...”





Antes que eu finalizasse a frase a porta abriu de vez. O vento quente me pegou de surpresa e sem pensar coloquei a Julie em meu colo. Talvez percebendo a minha tensão, ela mergulhou sua cabeça na curvatura do meu ombro.



“Kris...Oh meu...Deus!”





“Olá, mamãe” , respondi. Ela abriu mais a porta, nos deixando entrar. Paramos logo na entrada, seu olhar girava em torno de nós duas...





“Oh...essa...”





“É a Julie...Princesinha, fique em pé...vamos...” Massageei suas costas e por fim a pus em pé, na frente da minha mãe. “Sua avó...”



Julie olhava para o chão, totalmente envergonhada. Ela não lidava muito bem com pessoas estranhas.



“Diga oi.”



Quase sorri quando a Julie levantou seu rosto, com a mão agarrada à minha perna e sorriu.



“Oi, vovó...”



“Olá, Julie.” Minha mãe se abaixou, aproximando-se do corpinho da minha filha, que não parecia nem tão tenso. “Sabia que eu vi você na barriga da sua mãe?”



Ela continuava calada.



“E esse ursinho...é seu”



“É sim...É o Senhô Ulso...”



“Sabia que sua mãe tinha algo assim também?”



“Sério vovó?”



“Aham...”



Minha mãe pegou em sua mãozinha e as duas estavam em um mundo próprio agora. Jules ainda balançou a cabeça, me indicando a escada. Olhei hesitante para as duas que conversavam animadas. Eu ainda não entendia. Deve valer algo mesmo esse negócio de sangue.





“Julie...” Ela virou-se rapidamente ao som da minha voz. “Mamãe vai ver o vovô tá bom?” Beijei sua testa “Volto logo”



“Tá”



–-





“Pai...”



Abri a porta, vendo um senhor idoso e cansado sentado na cama. Ele levantou a cabeça, me dando um sorriso ligeiro.



“Kris... Oh, menina, você cresceu...”



“Sim...Acho que sim”



“Se aproxime mais...Minha visão não é lá essas coisas mais...”



Me sentei do seu lado da cama e ele apertou minha mão com um pouco da força que ainda tinha. Apesar de tudo, era meu pai. Era inevitável eu não sentir algo de ruim quando o via daquele jeito...”



“Sabe, eu nunca perguntei como você sentia antes né? Com toda àquela confusão...eu não soube como lidar. Era a minha garotinha tendo um bebê...Uma outra pessoa.” Ele suspirou, arrancando uma lufada de ar. “Eu pensei estar agindo certo...Sobre o aborto...”



“Ela se chama Julie sabe? Eu...Foi bem difícil. É bem difícil. Ainda é. Eu terminei o ensino médio a alguns meses...”



“Sinto muito...Nós deveríamos ter...a ajudado...Mas você foi embora e só a pouco tempo é que engoli meu orgulho e mandei sua mãe te procurar. Te ligar. É tão bom te ver, minha filha”



“Pai...”



“Me perdoe...”



“Tá tudo bem papai...”



Ele sorriu, limpando algumas lágrimas que escapavam de meus olhos.



“Como ela é?”



Sorri.



“Como um raio de sol. Uma pestinha. E muito esperta...e linda. Muito linda”



“Claro que é. Você a trousse?”



“Ela está lá embaixo com a mamãe...”



“Traga ela aqui...por favor...”



Balancei a cabeça, descendo as escadas novamente. Julie dava gritinhos animados quando viu o pequeno gatinho no chão da sala.



Minúsculo. Era o Snow. Era inacreditável que ela ainda estivesse vivo. Eu ainda lembrava de quando criança correr atrás dele, incansavelmente.









“Julie.” Chamei. Ela correu até mim, entre as minhas pernas, com o Snow no colo. Estranhamente ela quase dormia em seus braços. “Deixe o gatinho em paz e vamos ver o vovô ok?”



A contra gosto ela colocou ele no chão e subimos a escada. Minha mãe estava junto também. Abri a porta de novo e John ainda estava no mesmo lugar. Raspei a garganta, chamando sua atenção.



– Pai...esta é a Julie...



Ela ainda estava quietinha e parada. Ele a chamou pela mão. Julie olhou para mim como se estivesse pedindo algum tipo de permissão. Balancei a cabeça, concordando. Vi a minha pequena hesitar e meu pai a pegou com um abraço. Ela ria baixinho das coisas que ele falava. Respirei, fundo, aliviada. Tudo estava bem. Julie escapuliu da cama e abriu a segunda gaveta do móvel.



– Pegue e venha cá.



Seus olhinhos pareciam brilhar enquanto ela se sentava com álbum de fotos no colo, do lado dele, na cama e abriu a primeira folha...



– Porque a gente não desce e come um pouco...?



– Huhun...



Dei mais uma olhada na Julie entretida com meu pai e desci. Era bom ela conhecer alguém além de mim na sua família.





– Você fez um ótimo trabalho... – Minha mãe falou enquanto me servia uma fatia de torta. – Quero dizer...com a Julie.



– Hun...Obrigada. O começo foi assustador... – sorri triste com a lembrança – Eu mal acreditei quando fui para casa com aquele pedacinho de gente nos meus braços. Os primeiros dias foi terrível...Eu quase...Mas consegui...





– Me desculpe...Eu devia ter estado com você! Mas seu pai...Você sabe como ele é...Orgulhoso...Disse que me expulsaria de casa se eu fosse atrás de você...Eu...não sabia o que fazer...Ele...só mudou quando soube da doença...Disse que não podia morrer sem te ver...



– Tá tudo bem mamãe...Passou... Estamos bem agora...



– Não tão bem...Você terminou a escola?



– Ano passado.



– Deus...



– Tá tudo bem...



– Tá trabalhando em que?



– Numa loja de perfumes...



– Como vendedora?



– Não...eu...faço a limpeza lá...



Ela ficou em silêncio por alguns minutos, pegando em minha mão.



– Porque não volta? Você e a Julie podem ficar aqui...você arranja um emprego melhor...



– Eu não sei...Só somos só nós duas...Seria estranho voltar...para casa dos meus pais entende?



– Claro, meu bem...Mas falo...Você poderia morar na outra casa. Ela fica a umas três quadras daqui. Ela é sua na verdade. Sua avó deixou como herança para você. É um pouco menor...



– Uma casa...pra mim?



– Sim! Não teria que pagar aluguel nem nada disso...



– Pense nisso ok? Você poderia arranjar um trabalho por aqui mesmo... Nós ficaremos muito felizes de ter vocês duas aqui por perto...



– Vou pensar mãe...



– Tudo bem...

– Vou lá em cima deixar um lanche para àqueles dois certo? Volto já.



Os passos da minha mãe já estavam longe quando meu celular tocou. Olhei a tela e vi um número que não conhecia.



– Alô?



– Kristen? – a voz era abafada do outro lado – Por favor, não desligue! É o Rob. Nós precisamos conversar...



– Você está louco? Me deixa em paz...



– Por favor baby...



– Não me chama assim!



– Eu preciso... te contar uma coisas...



– Vai nos deixar em paz depois?



Silêncio.



– Rob?



– Vou sim.



– Onde a gente se encontra? Eu estou na casa dos meus pais...



– Eu to perto... Pode ser na praia...no lugar...?



– Tudo bem...Que horas?



– Umas duas horas? Depois do almoço?



– Tá...



– Kr...





“Mãeeee”



– Vou desligar...



– É a...



– Sim. A Julie. Tchau.



Desliguei, colocando o aparelho em cima da mesa, bem a tempo de pegar meu pacotinho no colo.

– Que foi ein? O que eu disse sobre não correr?



Olho em volto e vejo Snow descendo calmamente as escadas.



– O que você aprontou?



– Mãe!! Eu não apronto...



– Julie...



Ela rolou os olhos.



– Eu só coloquei ele na minha bolsa. – Arregalei os olhos. – Podemos ter um gatinho também?

0 comentários:

Deixe seu comentário ou impressão sobre o texto acima. Mensagens ofensivas serão deletadas.

Followers

Estatísticas

Trailer Destaque