Pequenas Escolhas da Vida - Capitulo 12
Duas estradas se bifurcaram no meio da minha vida, ouvi um sábio dizer. Peguei a estrada menos usada. E isso fez toda a diferença cada noite e cada dia. (A cabana)
Ponto de Vista do Robert.
– Brit?
– Oiie, xuxu...
Mas do que foi que ela me chamou mesmo? Suspirei fundo, tentando encontrar alguma posição cômoda naquela cadeira dura. Olhei a mobília ao redor de mim. Me sentia frustrado. Apoiei o telefone a contragosto contra o meu rosto, sentindo o atrito da minha barba por fazer ainda. Eu me surpreendia com a capacidade que ela crescia.
Absurdamente. Rápido demais. Desde ontem quando sai da casa da Kristen foi impossível voltar para casa. A minha casa. Nesses últimos meses vivíamos um no apartamento do outro. Como uma extensão de nós mesmo. Seria terrível voltar para lá e encontrar cada pedacinho da Kris em cada canto.
Era particularmente ridículo tudo isso. Eu estava me hospedando em um hotel terrível quando sabia muito bem que a minha casa estava lá. A disposição. Vazia.
Era só um bando de paredes arrumadas estrategicamente dizendo que eu estava sozinho. Eu detestava a solidão. Ela me trazia lembranças cruéis.
Como seria entrar em casa e vê uma blusa dela jogada em cima da cama ou os malditos bilhetinhos que ela tinha mania de deixar espalhados pela casa, a fim de que eu não esquecesse nada?
Como até hoje você viveu sem mim?
Eu podia ver tão claro ela rindo para mim, enquanto colocava as minhas coisas no lugar. Seus olhos verdes se estreitavam enquanto sua boca se distendia num sorriso claro e divertido, exibindo seus dentinhos pequenos e perfeitos.
E seu perfume. Apertei meus olhos cansados. Aquele maldito perfume que a fazia ser única para mim. Cocei meu queixo, tentando me concentrar no que a Brit falava. Estava me parecendo cada vez mais impossível.
– Está me confundindo com alguém? Eu espero que sim porque você sabe que...
– Espera. Eu vou...
Ela tampou o telefone e ouvi um som abafado. Brit bufou – baixo – do outro lado da linha. E mais algum outro som que não pude distinguir. Parecia algo molhado? Sabe quando você derruba um copo de suco? Algo assim.
– Brit? O que está acontecendo?
– Eu estou com a Kris. Na casa dela. Merda. – Ela simplesmente falou e eu gemi, angustiado. – Acho que derrubei alguma coisa...
– O que você derrubou?
– Hello, Rob...Não importa.
– Mas...- respirei fundo – Como ela está?
Silêncio.
– Brit! Isso não está ajudando em nada sabia?
– Há, Rob...O de sempre. O que você acha? Ela chorou um pouco...er...um pouco...
– E...?
– E digamos que ela está bem arrasada...ha, você sabe...
– Eu não sei! Quer dizer, eu sei! Isso tudo ia dar em uma grande merda! Mas que droga, Brit! Eu vou ai...chego em vinte minutos e ... Vou fazer as coisas normais...sem essa frescura toda que você inventou...
– Você bebeu? Enlouqueceu? É claro que não vai fazer isso. Vai fazer como combinamos. Ela vai gostar...Posso lembrar de que foi você que me procurou super preocupado?
– E se ela surtar e não perdoar a gente? A mim? Ela me acha um chato não sabe? Desde o primeiro dia...eu não sou mesmo o animado da relação...
– Deixa de ser louco e paranóico, Rob! É claro que ela não te acha um chato, ok? Vocês estão juntos a quase um ano e...vamos voltar a agir como homem agora certo?
– Eu não sei... Deus, ela estava chorando...Droga, Brit...a Kristen estava chorando...isso me matou.
– Bem, ela continua...
– O que?
– Chorando. Resmungando. Se entupindo de calorias... Essas coisas...
– Brit...
– Olhe, não seja idiota. Você é um homem, PORRA. Aja como tal. Vai dar tudo certo.
Respirei fundo, limpando o suor na testa. Eu nunca fui levado a impulsos e fazer as coisas daquele jeito, mas desde que encontrei aquela baixinha parecia que eu colocava os pés na lama. Todo santo dia.
– Tudo bem.
– Ahn...tenho que falar mais uma coisinha...Uma bem pequena.
– O que foi dessa vez?
– Nada demais...Só...tive que contar uma mentirinha para a Kristen aceitar ir a tal festa comigo...
– Outra? – gritei, exasperado. – Que outra mentira você contou dessa vez?
– Do jeito que você fala até parece que eu sou algum tipo de mentirosa compulsiva. – ela suspirou, dramatizando a cena. - Deus, sua namorada queria ficar mofando aqui acredita?
– O que você contou Brit? – Trinquei os dentes. – Ou melhor...Que mentirinha foi dessa vez?
– Há...eu disse que você temoutramulher.
Que? O que ela falou?
– Pode falar mais devagar, Brit?
Ela suspirou fundo.
– Que você tem outra mulher. – falou, simplesmente. Dessa vez ela falou pausadamente e suspirou forte ao fim. Então gargalhei.
– Que estranho... Eu pensei escutar você falando que eu tinha outra mulher para a Kristen. Você é um pouco louca, mas não chegaria a tanto.
–Er...Rob?
– Oh meu Deus! Você é louca!
– Ela... Kristen!
“Brit! Oh meu deus! Você derrubou a minha torta de chocolate!”
Kristen. A minha Kristen. Era ela. Deus! Era tão absurdo. Eu já sentia saudades. E nem fazia dois dias que sai de lá. Eu estava tão dependente dela.
“Não choramingue amiga. Vai lá! Você ainda está de toalha...Temos pouco tempo...”
“Quem é no telefone?”
“Quem mais seria? Meu marido!”
“Há...Eu...”
Ouvi a Bit rindo, afastando um pouco o telefone. O som estava ainda mais longe, mas nada que eu não pudesse ouvir ainda.
"Pensou que era o seu Rob?"
"É..."
"Não seja ridicula, Kristen. Não é ele..."
"Cert...o..."
"Oh, querida, não chore...ei, espere...
– Meu amor, vou desligar.
– Brit! A Kristen...
– Nos vemos daqui a pouco. Não sinta tantas saudades.
E desligou o telefone na minha cara sem mais nem menos. Fiquei olhando por alguns pares de segundos aquela telinha apagada do telefone e o tu tu tu de desligado me pareceu hipnótico. Tentei ligar de novo, mas só dava sinal de ocupado. Só Deus sabia o que ela estava aprontando com a minha Kristen.
– Droga! - Gritei, jogando o telefone na parede. Ouvi ele se espatifar em vários pedaços a minha frente. Que se danasse. Quem precisava da droga do celular!
Isso tudo estava acontecendo porque eu tinha ouvido a Brit a alguns dias atrás. Ela acabou me convencendo a realizar esse maldito plano com a ideia de que a Kristen iria ficar bem surpresa e com certeza seria algo que ela não esperava mesmo. Pelo menos, não era algo que ela esperasse de mim. Seria o elemento surpresa. Mas e se ela, no final, não acreditasse em mim?
Parecia ter sido ontem quando acordamos e ficamos juntos naquela festa, meses atrás. Deus, definitivamente ela tinha me tirado do ar, se esfregando daquele jeito contra mim. Eu estava com uma porra de um ciúme danado daquela baixinha. Ao ver ela aos beijos com aquele cara bêbado e musculoso tinha me tirado o ar. E depois tudo parecia se encaminhar bem. Ou quase bem.
Chegar ao meu apartamento nunca foi tão difícil. Uma pequena distância parecia demorar horas. E engoli o horror quando começou a chover e ela exigiu que saíssemos do carro, tudo porque eu tinha dito que nunca tinha tomado nenhum banho de chuva na vida. Eu nunca poderia esquecer seu sorriso fácil, seus olhos brilhando enquanto a chuva nos ensopada com pingos bem fortes.
Tinha sido tão bom, mesmo que até hoje eu nunca tinha admitido isso para ela. Era sempre a Kristen que me arrastava para essas aventuras. Mês após mês ela foi injetando a vida de volta dentro de mim. Ela era tão feliz. Tão divertida.
E o resto da noite? Deus, ela parecia querer me enlouquecer. E antes que adormecesse novamente na manhã seguinte eu tinha já na cabeça que não a deixaria escapar. Mas nem tudo tinha sido tão fácil assim. Quando ambos estávamos sóbrios ela parecia terrivelmente constrangida e parecia querer escapulir do meu apartamento. De mim.
Antes de a maldita porta fechar-se e ela se ir, eu vi seus olhos. Eles pareciam querer me atravessar e era como ver uma menininha ali. Totalmente indefesa.
Ela piscou e toda aquela sensação se dissolveu. Então sorriu se aproximou de mim, na ponta dos pés e me beijou. Tão rápido que eu poderia pensar ter sido algum tipo de alucinação.
“Nos vemos no escritório, chefinho?”
Sim. Ela ainda tinha essa maldita mania de me chamar de chefinho. Eu odiava. E ela sabia muito bem disso.
Então ela se foi. Completamente.
O alarme disparou na mesinha perto da minha cadeira. Me fez voltar ao tempo real deixando todas àquelas lembranças de lado. Eu precisava me arrumar. Tudo daria certo.
Sorri para o espelho.
Isso aí Robert. Confiança.
Hoje eu ia pedir minha menina em casamento.
Ela não ia me dizer não, né?
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